Estudo da EY e do IIF também aponta que CROs das instituições financeiras planejam adotar a inteligência artificial para gestão de riscos operacionais e cibernéticos
Mais de sete em cada dez gestores de riscos (75%) planejam adotar inteligência artificial na gestão de riscos de fraudes e crimes financeiros, aponta estudo global da EY e do IIF (Institute of International Finance). Isso significa usar a tecnologia para, entre outras atividades, monitorar transações e reconhecer padrões que devem ser investigados. Dessa forma, segundo a pesquisa, a IA passa a contribuir para o ganho de efetividade das práticas de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa).
“Os reguladores em todo o mundo estão incentivando o uso de IA em processos que possam auxiliar a triagem de indícios ou a identificação de padrão suspeito. Por causa do alto e crescente volume de transações, fazer isso apenas com análise humana tornou-se impossível”, diz Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. “Ao ampliar a capacidade de detectar, analisar e agir sobre operações suspeitas de forma mais rápida e precisa em relação aos métodos tradicionais, a IA pode se tornar vital no combate aos crimes financeiros”, completa.
Ainda de acordo com a pesquisa da EY e do IIF, 72% dos CROs (Chief Risk Officers) entrevistados pretendem utilizar IA para fazer a gestão de riscos operacionais e de cibersegurança, o que inclui atividades como monitoramento dos sistemas e detecção de anormalidades. “Há uma preocupação por parte dos gestores de riscos de justificar o alto investimento que tem sido feito pelos bancos em IA. Embora quase três quartos dos CROs participantes da pesquisa tenham admitido que a adoção da IA na gestão de riscos ainda é limitada, há uma ampla experimentação na prevenção a fraudes financeiras e nos esforços de cibersegurança”, observa Rui Cabral, sócio-líder de risco e finanças para o setor financeiro da EY Brasil.
Entre os desafios para a implementação da IA na gestão de riscos pelos bancos estão a qualidade e disponibilidade dos dados, com 80% das respostas; a segurança e privacidade dos dados, com 67%; e as lacunas ou deficiências de conhecimento em IA e análise de dados, com 54%. “Há duas preocupações principais: a de alucinação por parte dos agentes de IA e de qualificação por parte da força de trabalho para lidar com essa tecnologia. A supervisão humana dos agentes de IA é necessária, motivo pelo qual o primeiro passo na implementação dos agentes é criar governança robusta”, destaca Andrei Graça, sócio-líder de inteligência artificial e dados da EY Brasil.
Participaram do estudo da EY, em parceria com o IIF, 101 bancos de 31 países, por meio das respostas de CROs. Os bancos contemplados são diversos em termos de tamanho de ativos e alcance geográfico, com 10% deles na categoria G-SIBs, que reúne as maiores e mais complexas instituições financeiras do mundo, consideradas grandes demais para falir (da expressão em inglês “too big to fail”). As instituições pesquisadas têm suas sedes na América do Norte, representando 30% do total, seguidas por Ásia-Pacífico com 20%; Europa com 20%; América Latina com 20%; e Oriente Médio e África com 10%.
Primeiros passos na adoção da IA
No momento, ainda segundo os respondentes do estudo da EY e do IIF, a adoção da IA tem sido limitada, com a implementação em andamento da governança e das políticas adequadas para isso, identificando como parte desse processo os possíveis casos de uso, com 72% das respostas. Apenas 12% dizem que já colhem os benefícios dos casos de uso de IA implementados, depois de vencida a etapa da governança. “As instituições financeiras maiores fazem parte desse segundo grupo, reunindo a maior parte das respostas, com destaque para as G-SIBs”, diz Cabral.
“A IA agêntica tem potencial de transformar uma série de processos da gestão de riscos. À medida que sua adoção aumenta, os CROs devem desenvolver estratégias para monitorar como os agentes de IA analisam dados, geram resultados e tomam decisões. Essas capacidades são essenciais para a implementação da IA em escala, sem descuidar das práticas responsáveis aplicáveis a todos os níveis e profissionais da organização”, finaliza Andrei.
A inteligência artificial tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas para inovar e tornar mais produtivo o dia a dia dos seus negócios. Há, no entanto, diversas dúvidas sobre como desenvolver e operacionalizar esses sistemas evitando os riscos que podem comprometer os resultados financeiros e a reputação das organizações. Nesse contexto, a EY lançou a série “IA aplicada aos negócios: Como utilizar essa tecnologia com segurança e governança para gerar inovação”, que, além desta reportagem, já publicou as seguintes:
- IA generativa para fins tributários atende às obrigações fiscais e gera inteligência
- Empresas adotam IA generativa na gestão do contencioso tributário
- Monitoramento por IA das emissões de metano já é realidade na indústria de gás e petróleo
- Indústria de mineração encontra alternativas à abertura de minas por meio da IA
- IA possibilita uso inteligente da rede de energia para aproveitar potencial das fontes renováveis
- Educação é a base da governança em inteligência artificial
- Engajamento dos C-Levels e diretores é característica em comum das empresas bem-sucedidas em IA
- Conselheiros de administração no Brasil têm o desafio de inserir IA generativa na agenda de curto prazo
- Uso da IA generativa pelas empresas começa com identificação do problema a ser resolvido
- Cultura de dados aliada à IA melhora gestão de riscos corporativos
- Erro ou criatividade da IA generativa, mesmo em nível baixo, traz riscos para as empresas
- IA exige olhar para as transformações que serão viabilizadas pela tecnologia
- Empresas consideram que IA generativa será complementar às iniciativas já existentes
- IA generativa: 73% das empresas já estão investindo ou planejam investir dentro de um ano
- Estruturação dos dados é desafio da área de gestão de riscos das organizações
- IA registra mais de 90% de precisão na detecção de ameaças cibernéticas, diz estudo da EY
- 86% dos CIOs pretendem adquirir ou fechar parceria com plataforma de IA generativa
- Uso da IA pelas varejistas traz ganhos em relação aos clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos
- Uso da IA na infraestrutura viabiliza projetos com monitoramento em tempo real
- CEOs concordam que capacitação da força de trabalho vai definir liderança em IA
- Geopolítica, tecnologia e ambiente regulatório desafiam departamentos jurídicos
- 85% dos departamentos jurídicos usam ou pretendem usar IA generativa para buscar jurisprudência
- Uso da IA pelo agronegócio pode tornar Brasil ainda mais competitivo no cenário global
- Sistemas de IA generativa precisam ser continuamente confrontados ou testados
- Empresas podem obter incentivos fiscais com seus investimentos em IA
- Uso da IA contra ameaças cibernéticas cresce entre empresas de tecnologia
- IA agêntica já é realidade nas empresas de tecnologia, diz estudo da EY
- Estudo da EY indica que 76% da Geração Z já usa IA na vida pessoal e no trabalho
- Geração Z considera que uso da IA generativa seria desestimulado pelos professores
- Geração Z sabe onde usar IA generativa, mas tem dificuldades de tirar o melhor dela
- Redes sociais são principal fonte de informação sobre IA para Geração Z
- 63% da Geração Z considera que IA traz impacto positivo para a vida
- Letramento em IA é passo inicial para implantação bem-sucedida da tecnologia
- Adoção efetiva da IA nas empresas depende do engajamento dos colaboradores
- Brasil está entre os líderes em índice de população confortável com uso de IA
- Maioria dos brasileiros usou IA de forma consciente nos últimos seis meses
- 47% dos consumidores ainda não fizeram compra recomendada por IA
- Detecção de ameaças e monitoramento estão entre principais usos da IA para cibersegurança
- Entusiasmo sobre o futuro da IA entre os brasileiros está acima da média global
- Governo tem índice mais baixo de confiança para gestão de IA
- Em meio à incerteza, empreendedores focam em IA e fortalecimento da cultura
- CISOs têm a oportunidade de liderar estratégia de IA das organizações
- Uso de IA para prevenção de crimes financeiros ainda é incipiente, indica estudo da EY
- Cresce busca por profissionais tributários com fluência em IA, aponta estudo da EY
- Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY
- 45% das empresas reconhecem que dificuldade com tecnologia prejudica função tributária
- Uso da IA na auditoria viabiliza testagem de 100% das transações dos clientes
- Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio
- CEOs no Brasil consideram que IA atende ou excede expectativas, diz estudo da EY-Parthenon
- Para gerir milhares de agentes de IA, empresas adotam novo modelo de governança
- Mercado já usa IA na concessão e gestão de crédito, diz estudo da EY-Parthenon
Fonte: Agência EY, em 08.07.2026.