Por Anna Russi e Bruno Santa Rita
Aumento dos custos médicos acima da inflação torna convênios inacessíveis a uma parcela cada vez maior da população
Os reajustes dos planos de saúde têm sido muito superiores à inflação nos últimos anos. Mesmo com a queda expressiva do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ostenta variação anual inferior a 3%, as mensalidades dos planos individuais sobem mais de 13% a cada ano, desde 2015. Representantes das operadoras alegam que os altos índices de correção das mensalidades são decorrência da inflação dos serviços médicos, que têm sido muito mais elevada que a medida pelos indicadores oficiais.
Em 2017, por exemplo, o IPCA teve variação de 2,95%. Já a inflação médica foi de 17,91%, número seis vezes maior. Em consequência dos altos reajustes dos planos, um número crescente de consumidores vem desistindo de manter os convênios, que se tornaram excessivamente caros para os padrões brasileiros. De 2014 até fevereiro deste ano, cerca de 3 milhões de pessoas ficaram sem a cobertura dos planos, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), órgão responsável pela regulamentação e fiscalização das operadoras. O problema só não é maior porque, de todos os beneficiários do sistema, 67% são vinculados a planos empresariais.
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Fonte: Correio Braziliense, em 02.04.2018.