Em entrevista exclusiva concedida ao Blog Abrapp em Foco, o diretor executivo do Hancock Natural Resource Group, responsável pelo marketing e desenvolvimento de novos negócios, Tim Cayen, mostra como os ativos florestais são mais resilientes aos efeitos das crises nos mercados financeiros ao longo do tempo. Durante a crise provocada pela pandemia de COVID-19 não está sendo diferente.
O executivo explica que até o final de 2020, os ativos florestais e agrícolas enfrentarão ventos contrários significativos da desaceleração econômica global resultantes da pandemia de Covid-19, mas que apesar disso, terão condições de se saírem melhor que outras modalidades de investimentos.
“As medidas de resposta generalizadas adotadas para controlar a propagação do surto de Covid-19 incluem paralisações de negócios, diminuição da atividade de construção, interrupções nas cadeias de suprimentos e comércio transfronteiriço e deterioração do sentimento dos consumidores e das empresas. A demanda e os preços de muitas culturas agrícolas e de madeira sofrerão reveses neste ano”, prevê Cayen.
No entanto, os investimentos em florestas terão melhores condições para absorver os impactos da crise financeira, segundo o executivo da Hancock. “As áreas florestais e agrícolas serão capazes de enfrentar a crise atual melhor do que muitas outras classes de ativos, com base em seu histórico de volatilidade relativamente baixa e retornos consistentes”, diz.
No médio e longo prazo, as perspectivas para essas classes de ativos permanecem positivas, segundo Cayen, devido à demanda gerada pelas necessidades humanas fundamentais que esses ativos fornecem, incluindo alimentos, abrigo, energia e embalagens. “Além disso, as florestas e as terras agrícolas desempenharão um papel cada vez mais importante na abordagem da mitigação e adaptação às mudanças climáticas globais, com base na capacidade das florestas e fazendas de capturar e sequestrar CO2”, comenta.
Estudo - A Hancock publicou o estudo “Ativos florestais: resiliência em meio a incertezas”, no mês de abril (clique aqui para acessar), que traz uma comparação do desempenho histórico estimado dos investimentos florestais com o mercado de ações e ativos de renda fixa no Brasil nos últimos 20 anos. “As adversidades globais, como a pandemia de COVID-19, agregam enorme incerteza e instabilidade ao cenário de investimentos, o que pode se traduzir em aumento da volatilidade e comprometimento do desempenho de retorno de portfólios individuais”, diz o estudo.
“Com altos níveis de incerteza que continuam a cercar a possível trajetória e os impactos do surto de COVID-19, há um apelo maior por ativos de baixo risco, segundo o levantamento da Hancock. “Choques imprevisíveis no sistema, como o atual, destacam os benefícios de ativos reais, como florestas, que podem fornecer maior resiliência e menor variação de retorno para um portfólio geral”.
“Os ativos florestais possuem perfil de longo prazo e apresentam fortes registros históricos de desempenhos e baixa a moderada variação de retornos, proporcionando aos investidores institucionais benefícios favoráveis de diversificação. Os investimentos florestais podem ajudar a isolar os investidores de choques exógenos no sistema econômico e no ambiente financeiro. Com base nesta análise, a adição de ativos florestais a um portfólio diversificado pode trazer maior consistência e resiliência ao perfil de retorno de um portfólio”, defende o estudo.
Comparação com IBrX-50 - O estudo traz ainda uma comparação do desempenho histórico estimado dos investimentos florestais com o mercado de ações e ativos de renda fixa no Brasil em períodos de deslocamentos financeiros e econômicos. “Os investimentos florestais apresentaram desempenho positivo em cada um dos últimos 20 anos, enquanto o índice de ações brasileiras (representado pelo IBrX-50) mostrou maior grau de resposta a fatores econômicos, financeiros e políticos exógenos, resultando em volatilidade mais acentuada”, diz o trabalho.
Fonte: Abrapp em Foco, em 06.05.2020