O mercado total de seguros estagnou no primeiro semestre do ano comparando igual período de 2018, confirmam os dados oficiais da ASF. Ramos Não vida e Ramo Vida evoluem em sentidos opostos
O Relatório de Evolução da Atividade Seguradora relativo ao primeiro semestre deste ano, agora publicado pela ASF – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, vem confirmar uma estagnação no progresso do mercado segurador em Portugal.
A causa para a paragem de crescimento está no Ramo Vida, apesar do crescimento dos PPR em 28%, e a maior responsabilidade parece estar na baixa das taxas de juro e as suas consequências para a rentabilidade dos produtos Vida, tornando-os menos atraentes. Por outro lado, esse fenómeno está a travar os resgates de produtos contratados em outro momento quando as taxas de juro eram mais elevadas.
Do Relatório da ASF destacam-se indicadores e comentários, importantes para descrever o momento atual do mercado. E que seguem:
- No primeiro semestre de 2019, a produção global de seguro direto relativa à atividade em Portugal situou-se em 6,4 mil milhões de euros, um valor idêntico ao registado no período homólogo de 2018.
- Os ramos Não Vida têm apresentado uma evolução positiva nos últimos anos (5,6%, 8,3%, 7,8% e 7,4% nos primeiros semestres de 2016, 2017, 2018 e 2019, respetivamente).
- O ramo Vida, tipicamente mais volátil, registou um decréscimo de 4,4% (refira-se que em junho de 2018 havia apresentado um crescimento de 21,1%).
- Em junho de 2019, o valor das carteiras de investimento das empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF totalizou 53 mil milhões de euros, representando um acréscimo de 5,6% face ao final do ano de 2018. No mesmo período, as provisões técnicas, cujo valor foi superior a 46,2 mil milhões de euros apresentaram um crescimento de 6,2%.
- Os rácios de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) e do Requisito de Capital Mínimo (MCR), em junho de 2019, situaram-se em 174% e 485%, refletindo diminuições de 6 e 28 pontos percentuais respetivamente, face ao final de 2018.
- No primeiro semestre de 2019, o número de fundos de pensões sob gestão passou de 229 para 235, na sequência da constituição de sete fundos (dos quais quatro PPR) e extinção de apenas um fundo de pensões fechado.
- As contribuições para os fundos de pensões apresentaram um acréscimo de 113,1%, face ao período homólogo do ano anterior, aproximando-se dos valores registados em junho de 2016 e 2017. Os benefícios pagos registaram um crescimento de 4,3%, consistente com a evolução dos últimos anos. Os montantes geridos registaram um crescimento de 5,7% em relação ao final do ano transato, totalizando 20,6 mil milhões de euros.
Fonte: ECO (Portugal), em 11.09.2019.