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Antonio Penteado Mendonça |
Não há nada melhor do que comer uma fondue a beira da lareira, com um bom vinho tinto reunindo os amigos. E para isso, nada melhor do que uma noite gelada, daquelas que prometem geada interior a fora, com o céu limpo e transparente garantindo que o frio será intenso. O inverno pode ser uma estação maravilhosa, desde que você esteja do lado de dentro da casa quentinha, protegido por roupas apropriadas, vendo o frio se espalhar sem compaixão pela cidade. Outra coisa completamente diferente é você estar do lado de fora, na rua, mal protegido por roupas velhas e um cobertor distribuído pela prefeitura, ou por uma ONG, das muitas que nessa época do ano se espalham para auxiliar milhares de pessoas em situação de rua, que diante do clima hostil têm pouca chance de um mínimo de conforto. O frio é belo e terrível. Uma coisa é zero graus com você dentro de casa, outra é zero graus com você na rua, despreparado para o frio glacial que passa no vento que corta a cidade e cobra seu preço, inclusive, em vidas humanas. Este ano não está sendo diferente. O inverno mal começou, mas o frio já chegou e atinge, principalmente, a qualidade de vida de centenas de milhares de pessoas que vivem nas ruas e comunidades espalhadas pelas periferias da cidade. No curto prazo não há o que fazer. A situação é dramática e da mesma forma que as tempestades destroem o que encontram pela frente em várias regiões do país, o frio entra com seu pedaço de destruição, atingindo pessoas e lavouras, como o café que paga um alto preço para as geadas. Será que o frio faz parte das mudanças climáticas? Ou melhor, será que o frio deve entrar nos estudos para minimizar os danos decorrentes das mudanças climáticas? A única resposta possível é: claro que sim. A melhor forma de se enfrentar o problema seria através da construção massiva de casas populares com condições mínimas de conforto para aquecer uma família nos dias gelados do inverno, da mesma forma que deveriam proteger a família nos dias terríveis das tempestades de verão. Isto exige medidas que até agora têm sido implementadas de forma apenas parcial. Não há um plano nacional de ocupação do solo. E, também, há poucos programas que levem em conta as deficiências e vantagens regionais para instalar parte da população, especialmente a de mais baixa renda, que é quem acaba pagando pato. Esta equação poderia receber o auxílio importante do setor de seguros. Em primeiro lugar com a utilização de parte de suas reservas técnicas para financiar a construção de moradias populares, com boas condições de salubridade, em locais apropriados. Em segundo lugar, o setor poderia oferecer seguros para a viabilização da construção das moradias e, depois de concluídas, para garantir a sua existência e funcionamento, permitindo que os moradores investissem suas escassas poupanças em atividades que melhorassem o seu padrão de vida. Nada fora da realidade. É só uma questão de vontade política. O Brasil precisa um planejamento regional de ocupação do solo que leve em conta suas tipicidades e que garanta a melhora da qualidade de vida da população. |
Fonte: SindSeg SP, em 03.07.2026.
