
Assim como os ratings de crédito transformaram os mercados de capitais no início do século XX, a inteligência artificial hoje exige métricas padronizadas para reduzir riscos e trazer transparência. Estima-se que até 30% da capitalização do S&P 500 esteja apoiada em expectativas otimistas sobre IA, sem dados concretos de desempenho.
A IA generativa atingiu 39% de adoção em apenas dois anos — uma marca que a internet levou cinco anos para alcançar e a computação pessoal, quase doze. Apesar dessa rapidez, estudos revelam que menos de 13% das empresas estão efetivamente preparadas para implementar IA.
A IA introduz riscos inéditos: vieses, vazamento de dados, deepfakes e violações regulatórias. Para investidores institucionais, as pontuações (scorings) ajudam a diferenciar empresas com capacidades reais das que exageram sua prontidão tecnológica, evitando o “AI-washing” e protegendo contra correções bruscas de mercado.
Por que avaliar a IA?
As informações atuais variam em precisão, custo, robustez e segurança, mas ainda são descritas por termos vagos como “estado da arte”. Scorings de IA funcionariam como benchmarks objetivos, permitindo comparações estruturadas e reduzindo a dependência de narrativas comerciais.
Organizações precisam responder a questões críticas antes de implementar IA: precisão, riscos de alucinação, retenção de dados e governança. Scorings funcionam como selo independente de qualidade, orientando aquisições e reduzindo custos de conformidade. Esse ponto é especialmente relevante diante de normas como o AI Act da União Europeia, que exige transparência, documentação e avaliação de riscos em sistemas de IA de alto impacto, e do Framework de Risco de IA do NIST (National Institute of Standards and Technology – EUA), que fornece diretrizes para monitoramento contínuo, auditoria e mitigação de riscos.
Competitividade e confiança
Empresas bem avaliadas demonstram governança sólida, eficiência e menor exposição a riscos, o que impacta diretamente processos de compras, fusões e aquisições e atração de talentos. Para consumidores e reguladores, scorings criam confiança semelhante a certificações ISO ou ratings de crédito.
No mercado financeiro, essa confiança se traduz em vantagem competitiva: entidades fechadas e investidores institucionais podem identificar players com maturidade tecnológica superior, reduzir exposição a empresas vulneráveis e direcionar capital para negócios sustentáveis em IA. Na prática, scorings tornam-se a camada de confiança da nova economia digital, acelerando a adoção segura da IA e fortalecendo a competitividade global.
*Elisa Castelani representa a Management & Excellence e a AllScorings em São Paulo.
*William Cox é sócio-fundador da Management & Excellence (Espanha), Global Partner da Hiqo Solutions Inc. (EUA) e também associado à AllScorings (Brasil – RJ).
Fonte: Abrapp em Foco, em 19.02.2026.