
Inspirado nos pensamentos de Sêneca, Aristóteles e de Edjair Alves (autor do livro “A Felicidade entre Gerações”).
Um dos fenômenos mais impactantes que vivenciei em minha carreira, nos meus 49 anos de trabalho, foi a última crise sanitária, em decorrência dos efeitos do vírus SARS-CoV-2 (COVID-19). Apenas no Brasil, cerca de 700 mil vidas foram perdidas em aproximadamente 4 anos; isso sem falar nos efeitos colaterais que sucederam a pandemia.
Por razões profissionais, acompanhei o tema bem de perto, recebendo semanalmente os relatórios do Ministério da Saúde e de todas as seguradoras de vida e previdência privada brasileiras. Esse fato, por inúmeras vezes, me fez refletir sobre o valor da vida, ter a clareza de que quase tudo está sempre por um fio e que precisamos viver a vida que realmente vale a pena ser vivida, conforme as brilhantes e inspiradoras palestras do professor Clóvis de Barros Filho.
Sêneca, em sua obra “Sobre a Brevidade da Vida” (De Brevitate Vitae), um clássico estoico, argumenta que a vida não é curta, mas nós, por vezes, a desperdiçamos. O autor defende que o tempo é nosso recurso mais valioso e finito e, diante disso, critica o foco excessivo no trabalho, no luxo e nas distrações que nos afastam do que realmente importa. Por fim, ele nos incentiva a vivermos o presente com propósito, foco e sabedoria.
Para Aristóteles, a felicidade (eudaimonia) é o objetivo final da vida humana, definida como o florescimento da alma por meio da prática da virtude (aretê) e do uso da razão. Não é um prazer passageiro, mas uma atividade duradoura e virtuosa, alcançada pelo equilíbrio (justa medida) entre extremos de excesso e deficiência. De acordo com a visão do filósofo, a felicidade é o bem supremo e o fim em si mesmo, ou seja, busca-se a felicidade por ela mesma, e não para alcançar outra coisa.
Por fim, em seu livro “A Felicidade Entre Gerações“, Edjair Alves nos inspira a corrermos atrás dos nossos sonhos, trata da nossa relação com o tempo e da construção da felicidade entre as gerações. Em uma rica pesquisa, sobre a qual recomendo a leitura, Edjair destaca que devemos saber viver plenamente cada fase da vida.
Diante dessas reflexões sobre o sentido da vida e do tempo, é inevitável olhar para a realidade brasileira, onde ainda vivemos o paradoxo de um país rico em recursos naturais, mas que ainda não encontrou o seu caminho como nação para viabilizar uma vida digna e feliz para a imensa maioria da população. Ainda caminhamos entre trancos e barrancos, como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro.
Nesse cenário, os trabalhadores que contam com um programa de previdência patrocinado fechado representam apenas 7,8% da população ocupada e 1,5% da classe média brasileira (pessoas com renda entre R$ 3.500 e R$ 26.000). Mesmo após 50 anos de existência, ainda somos literalmente uma exceção, por vezes rotulados indevidamente como privilegiados por dirigentes públicos e privados, dentro de uma sociedade que vive, na média, aquém de padrões dignos, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, quando nos referimos à cidadania e às políticas relativas a saneamento, educação, transporte, saúde e lazer.
Neste sentido, vale refletir se o seu plano de benefício previdenciário de fato está sendo um instrumento importante e adequado para que você concretize os seus sonhos também após a fase laborativa na patrocinadora. Para a grande maioria dos participantes que, diga-se de passagem, está ficando mais longeva, há muita vida pela frente na busca da felicidade que inicialmente mencionei, para além do encerramento do contrato de trabalho com a Patrocinadora. Vale lembrar que a onda do momento é falar sobre a nova geração prateada, a turma dos 50+.
Mas para que isso seja uma verdade, a jornada deve ser construída com muita consciência financeira e sabedoria. No caso dos nossos planos, a formação de uma reserva adequada para que os novos ciclos de vida sejam sustentáveis deve estar alicerçada em bases sólidas e acompanhadas periodicamente por todos os interessados (participantes ativos, assistidos e seus dependentes). Como diz o Emicida: “Você é o único representante do seu sonho na face da Terra” na busca da sua felicidade.
*Carlos de Paula é Diretor-Presidente da Prevdata
Fonte: Abrapp em Foco, em 18.05.2026.