
Escrevo estas linhas do alto dos meus 90 anos. É uma idade que me concede um privilégio raro: ter atravessado, de corpo presente, boa parte da História recente do Brasil. Vi o país rural se tornar urbano, assisti à inflação corroer o salário de gerações inteiras, participei da construção da legislação previdenciária e acompanhei, década após década, a promessa adiada de nos tornarmos uma nação próspera.
Há muitos anos repito uma frase que resume, a meu ver, o maior desafio brasileiro, conforme alertam economistas:
— O Brasil está envelhecendo antes de enriquecer.
Não se trata de previsão pessimista, mas de fato. O bônus demográfico, período em que há mais pessoas em idade de trabalhar do que dependentes, praticamente se encerrou. Perdemos essa oportunidade sem alcançar o desenvolvimento que muitos países conquistaram antes de envelhecer.
Quando observamos o Brasil de hoje, percebemos um país de contrastes profundos. Há cidades que oferecem a seus moradores condições para que cheguem à velhice com saúde, autonomia e segurança. Outras ainda enfrentam enormes dificuldades para garantir o básico. Entre esses extremos, existe um abismo que não se atravessa com discursos, mas com planejamento, continuidade administrativa e políticas públicas consistentes.
(Continua…)
*Nilton Molina é Presidente do Instituto de Longevidade MAG
Artigo publicado originalmente no portal O Globo – clique aqui para ler na íntegra.
Fonte: Abrapp em Foco, em 24.08.2026.