Por Guilherme Capriata Vaccaro Campelo (*)

O Brasil atravessa uma transição demográfica acelerada. Segundo o IBGE, a expectativa de vida ao nascer continua crescendo, e a pirâmide populacional está invertendo. No entanto, viver mais não é sinônimo de viver bem. A longevidade financeira surge como o alicerce necessário para que os anos adicionais sejam vividos com dignidade e autonomia.
Tradicionalmente, a previdência complementar era vista apenas como um complemento de renda ao INSS. Hoje, o conceito evoluiu. Planos de previdência fechada (EFPC) e aberta estão se tornando gestores de bem-estar a longo prazo.
Com a reforma da previdência social, o teto do regime geral tornou-se insuficiente para manter o padrão de vida da classe média. É aqui que o setor de previdência complementar, sob supervisão de órgãos como a Previc, desempenha um papel social crucial: garantir que o idoso não dependa exclusivamente de redes de apoio familiar ou estatal, fomentando a economia através do consumo e do investimento.
Para que a longevidade seja acompanhada de qualidade de vida, o setor precisa avançar nos seguintes aspectos:
– Inovação nos Planos: Criação de produtos que acompanhem as diferentes fases da vida
(fase de acumulação vs. fase de desfrute).
– Educação Financeira: Capacitar o participante para entender que a previdência é um investimento em seu “eu do futuro”.
– Governança: A transparência na gestão dos fundos de pensão é o que garante a confiança de que o recurso estará lá daqui a 30 ou 40 anos.
A longevidade é uma das maiores conquistas da humanidade, mas representa um risco atuarial e social se não houver planejamento.
A previdência complementar não entrega apenas dinheiro; ela entrega tempo de vida com qualidade. Investir no sistema previdenciário hoje é garantir que o amanhã não seja um fardo, mas uma etapa de plenitude.
(*) Guilherme Capriata Vaccaro Campelo é Diretor de Licenciamento da Previc.
Fonte: Abrapp em Foco, em 20.02.2026