
O Brasil está diante de uma mudança no mundo do trabalho que já não pode ser tratada como um fenômeno passageiro. Cerca de 2,2 milhões de pessoas trabalham por meio de plataformas digitais, entre elas 1,7 milhão de motoristas e 455 mil entregadores. São trabalhadores que geram renda, muitas vezes de forma intermitente, mas para os quais os mecanismos tradicionais de proteção previdenciária nem sempre se ajustam à realidade. O desafio é fazer com que uma parcela da renda de hoje também se transforme em proteção para o futuro.
No Tao Te Ching, Laozi escreveu que “uma árvore de grande abraço nasce de uma pequenina semente”. A imagem é particularmente adequada à previdência: no longo prazo, pequenas contribuições podem se transformar em uma reserva capaz de dar autonomia a quem hoje vive de uma renda instável.
Esse não é um desafio exclusivamente brasileiro. Entre os BRICS, China e Índia desenvolveram experiências que ajudam a compreender como adaptar a previdência aos trabalhadores que estão fora das relações tradicionais de emprego. O Quênia, embora não faça parte do bloco, oferece uma experiência especialmente relevante para essa discussão: programas de micropensão apoiados em tecnologia móvel foram concebidos para alcançar trabalhadores com renda irregular e em situação de alta informalidade. O estudo realizado pela Abrapp e pela FIAP reúne essas e outras experiências internacionais e identifica alguns princípios recorrentes: flexibilidade contributiva, tecnologia, incentivos, educação financeira e regulação adequada.
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O presente artigo foi publicado originalmente no portal Brazil Economy – clique aqui para ler completo na íntegra.
*Devanir Silva é Diretor-Presidente da Abrapp.
Fonte: Abrapp em Foco, em 18.08.2026.