
Para ampliar o diálogo e propor soluções e melhorias para o sistema de saúde suplementar, diretores da Associação Paulista de Medicina participaram da segunda edição de fórum promovido pelo Conselho Federal de Medicina, em Brasília, no dia 27 de março.
Segundo o diretor de Defesa Profissional da APM, Marun David Cury, foram discutidos vários assuntos de agenda comum, como transparência e ética nas relações entre operadoras e médicos e remuneração justa. “Ficou definida a continuidade dos debates, com a formação de grupos menores, para avançar na política de bom relacionamento entre todos os segmentos que atendem usuários de planos de saúde. E que se tenha um sistema com o mínimo de desperdício possível e eficácia”, acrescenta.
O coordenador da Comissão de Saúde Suplementar (Comsu) do CFM, Salomão Rodrigues, ao palestrar sobre A Visão do Conselho, reforçou a importância do diálogo como um dos caminhos para o fortalecimento da área suplementar, tão importante para milhões de famílias brasileiras. “O médico tem um papel extremamente importante, não apenas na assistência, mas também como auditor dos planos de saúde. Precisamos defender permanentemente o equilíbrio e a harmonia entre os protagonistas do setor. Só isso trará a necessária estabilidade, melhorando a qualidade dos serviços assistenciais”, reforça.
Atualmente, cerca de 50 milhões de brasileiros (25% da população) possuem planos privados de assistência médica. Em 2018, o segmento movimentou mais de R$ 150 bilhões, que foram utilizados para cobrir as chamadas despesas assistenciais.
Nessa perspectiva, o vice-presidente da APM Jorge Carlos Machado Curi, palestrante do tema Visão Médica, afirma que, embora haja avanços recentes na área, como a criação de um fórum especial de relacionamento com a ANS - com o envolvimento de prestadores e das operadoras de planos de saúde -, o diálogo deve ser contínuo.
“Vamos tentar manter via Conselho uma agenda de assuntos principais, por exemplo, como uma parte e a outra podem contribuir para a resolução da judicialização; como podemos estabelecer diretrizes e protocolos; como discutir a implementação eventual de novas formas de pagamento com proteção da boa relação médico-paciente; e como implementar na saúde suplementar o atendimento à saúde básica primária (PAF), um dos principais temas debatidos no mundo todo”, argumenta Curi, que também é conselheiro do CFM e membro da Comsu.
O vice-presidente da APM também reforça a necessidade de cumprimento dos artigos do código de ética médica, prezando pela autonomia e dignidade do profissional e benefício do paciente. “São conceitos bioéticos que, obviamente, têm de ser configurados na persistência da boa assistência médica, assim também como a questão da equidade, de justiça e de valorização dessa relação”, conclui.
O papel da ANS na construção de parcerias entre os protagonistas do sistema de saúde suplementar: beneficiários, prestadores e operadoras; e a visão hospitalar, do beneficiário, da operadora, da FenaSaúde e da Unimed foram outros pontos abordados no evento.
Fonte: APM, em 29.03.2019.