Encontro reúne 80 associados da entidade para aprofundar conhecimentos sobre setor
Cerca de 80 pessoas presentes ao sétimo e último seminário do ano promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Apimec-RJ) conheceram um pouco mais do mercado segurador, tema da palestra ocorrida nesta quinta-feira, dia 17, na sede da entidade.
“Desafios da longevidade”, exposição apresentada pelo diretor de Marketing da Bradesco Seguros, Alexandre Nogueira; e “As perspectivas para o mercado segurador brasileiro”, a cargo do superintendente executivo técnico da Cnseg, Alexandre Leal Neto, foram os dois painéis responsáveis por dar uma visão holística do setor aos analistas e profissionais do mercado de capitais.
Alexandre Nogueira apresentou alguns dos impactos que o processo da longevidade provocará no País. “Ser longevo ou envelhecer é bom, mas é preciso chegar até lá com qualidade de vida”, lembrou, recomendando que as pessoas cuidem melhor da saúde, façam um planejamento financeiro para o futuro e reforcem os relacionamentos sociais, tendo em vista a qualidade de vida. Tais mudanças demográficas, explicou, representam novos desafios para o mercado segurador, exigindo a criação de produtos adequados nas áreas de saúde suplementar e de previdência privada, considerando-se aí os riscos da longevidade na gestão.
Para ele, os impactos da longevidade continuam a estar na periferia dos temas estratégicos. “O Brasil será, no grupo de países com população acima de 50 milhões, aquele que mais envelhecerá nos próximos 10 anos. Ainda assim, a corrida do envelhecimento não está no centro dos debates nem a infraestrutura necessária para garantir a qualidade de vida dos novos idosos está sendo preparada”, lembrou ele.
Hoje, são mais de 900 milhões de pessoas com mais de 60 aos no mundo, representando 12% da população, e a perspectiva é de que esta participação de idosos na pirâmide populacional dê saltos nas próximas décadas, sobretudo no Brasil, país no qual, em 2050, haverá 40 idosos inativos para cada empregado ativo. Sem ajustes, o colapso se aproxima da previdência pública e da rede pública de saúde.
Em sua apresentação, o superintendente da CNseg lembrou a evolução apresentada pelo mercado segurador nas últimas décadas. A estabilidade econômica, a melhoria da renda da população, o aumento do emprego- até a virada de viés ocorrida em meados de 2014 para cá- foram fatores decisivos para elevar a participação do mercado segurador em proporção ao PIB. De lá para cá, o mercado saiu de uma alguma coisa perto de 1% para 6,2% do PIB em 2015, com receita de R$ 365 bilhões. As indenizações pagas pelas seguradoras no ano passado somaram R$ 235 bilhões, o que equivaleu 1,5 vez o PIB do Uruguai.
Ele também destacou algumas das ações institucionais da CNseg e avaliou a conjuntura atual menos favorável ao crescimento. Ele citou cinco ações relevantes para uma nova jornada de expansão: estabilidade regulatória, a educação em seguros, a regulação contracíclica, a ampliação dos canais de acesso e a redução dos custos de observância. E ratificou que o mercado de seguros está apto a ser um dos motores do crescimento sustentável e dos novos riscos que se avizinham nas próximas décadas.
Fonte: CNseg, em 18.11.2016.