
Foi realizado nesta quarta-feira, 27 de novembro, um encontro da Associação dos Fundos de Pensão e Patrocinadores do Setor Privado (Apep) em comemoração aos 30 anos da associação. O evento, que ocorreu na sede do BTG Pactual, em São Paulo, contou com a presença do Diretor-Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, e do Superintendente Geral Devanir Silva. "Foi um evento comemorativo de uma entidade que vem defendendo os interesses de patrocinadores privados, em especial, e está em um processo de modernização, reinvenção, mudança de marca, redesenhando a identidade visual no sentido de buscar um fortalecimento", diz Luís Ricardo. "Buscamos estreitar essa parceria, entendendo que sistema tem que estar engajado para alcançar pleitos", complementou o Diretor-Presidente.
Além de mostrar um reposicionamento de marca, com o lançamento da nova identidade visual e o novo caminho da Apep, apresentado pelo Presidente da associação, Marcelo Bispo, o evento teve a presença de grandes especialistas, consultorias e formadores de opinião abordando temas atuais e de relevância para o sistema de previdência complementar. Foram debatidas as perspectivas econômicas para 2020, desafios de gestão dos planos de previdência complementar, nova dinâmica de trabalho e reforma da previdência. O encontro teve entre seus palestrantes Eduardo Guardia e Pedro Maia, do BTG Pactual; José Edson da Cunha Jr., da JCM Consultores; Felinto Sernache, da Willis Towers Watson; e Antônio Gazzoni, da Mercer.
Desafios da gestão de planos – Com um diagnóstico da atual situação previdenciária do país, José Edson da Cunha Jr., que é consultor da JCM Consultores, falou sobre os desafios que transformações cada vez mais rápidas trazem para o sistema, abordando Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência e as mudanças que elas acarretam. "Vejo uma natural e gradativa consolidação do mercado, com um número menor de entidades dada a necessidade de mais controles internos, e o nível de exigência mudando por parte do regulador", disse.
Ele avaliou ainda os pontos fracos e fortes do negócio, oportunidades e ameaças, através do SWOT, uma análise técnica de planejamento estratégico. "Há necessidade de uma busca pelo equilíbrio no processo decisório de investimentos, que deve ser célere e ter fundamentação técnica". José Edson reforçou que há uma oportunidade na previdência complementar de entes federados. "A reforma traz a necessidade de que todos os regimes próprios de previdência montem, em dois anos, os seus planos de previdência. Vejo como uma oportunidade de crescimento do sistema".
Para ele, o principal desafio é desenvolver um produto que seja adaptado ao novo perfil do participante, mais jovem, imediatista, e que precisa de liquidez. "O perfil dos planos daqui pra frente devem ser de contribuição definida, acessíveis a todos, empregados, associados, cooperados, familiares, agregados, e flexíveis em todas as suas etapas, desde a contribuição, passando pela fase de investimentos, para que o participante consiga escolher a forma de alocação dos seus recursos, até a fase dos benefícios. Esse novo plano seria semelhante a uma plataforma de multiprodutos, absolutamente digital", defendeu.
Mercado de Trabalho – Felinto Sernache, consultor da Willis Towers Watson, esteve na palestra sobre os desafios do novo mercado de trabalho, que foi conduzia via videoconferência pela consultora Tracey Malcolm, do Canadá. Durante a palestra, foi explorado o tema da automação e as novas modalidades de vínculo de profissionais com as empresas, que estão influenciando o ambiente de trabalho nas corporações, a remuneração e a oferta de benefícios. "Destacamos como as empresas estão enfrentando o desafio requalificar os empregados, que terão suas atividades substituídas ou eliminadas pela automação de processos e pela robótica. Por fim, essas mudanças vêm sendo implementadas numa velocidade muito grande dentro das organizações em geral", disse Felinto.
Reforçando a necessidade de uma mudança na estrutura de planos frente à nova realidade do mercado, Antonio Gazzoni, Diretor da Mercer e membro do Conselho Consultivo da Apep, fez uma apresentação sobre os efeitos da reforma nas organizações, empresas e fundos de pensão. "A reforma impacta organizações de maneira estrutural; a estratégia de gestão de pessoas e benefícios precisa ser revisitada; os trabalhadores e participantes precisarão cada vez mais de ajuda financeira e orientação sobre como investir; e o futuro reserva novas mudanças, com reformas fiscais e administrativas", disse Gazzoni.
Uma pesquisa da Mercer apresentada na ocasião mostrou que o Brasil se coloca ainda abaixo do esperado dentro de sua previdência básica. Os dados são do Melbourne Mercer Global Pension Index (MMGPI) de 2019, que compara 37 sistemas previdenciários em todo o mundo. "O Brasil está em 23º lugar ante os países ranqueados. A pesquisa aponta que entre 7% e 10% dos brasileiros têm previdência complementar, e a reforma traz uma oportunidade, tanto para empresas quanto para fundos de pensão, de adequarem seus produtos, regulamento e estruturas previdenciárias", destaca.
Outros dados apresentados por Gazzoni mostraram que desde 2015 apenas 18% das empresas brasileiras fizeram mudança em seus programas de previdência. "As demais ainda não fizeram qualquer adequação. Em relação a novos contratos de trabalho advindos com a Reforma Trabalhista de 2018, apenas 7% fizeram mudanças em seus programas de previdência; 24% estão analisando se vão fazer, e 69% não fizeram nada em termos de ações programadas", pontua. Gazzoni destaca que esse é o momento para que mudanças sejam feitas. "Apesar de não estar tão visível, a estrutura do plano precisa ser alterada", complementa.
Fonte: Acontece Abrapp, em 28.11.2019