Evento sobre tema que nos interessa de muito perto e com a chancela da prestigiosa Cass Business School, da City University of London, vai acontecer nos dias 3 e 4 de setembro próximo, em Santiago (Chile). É a Longevity 10 - 10ª Conferência Internacional sobre o Risco da Longevidade e as Soluções Fornecidas pelo Mercado de Capitais. É mais um impulso para nos levar a discutir algo que está cada vez mais no centro de nossas preocupações, sob o aspecto da necessidade de desenvolvermos no Brasil um verdadeiro mercado de anuidades, haja visto ter sido um dos assuntos tratados em reunião há dois dias entre os presidentes da Abrapp, José Ribeiro Pena Neto, e o da Fenaprevi (seguradoras e previdência aberta), Osvaldo Nascimento, ambos acompanhados de outros dirigentes das duas entidades.
O mercado de anuidades será um dos temas em destaque em painel exclusivo no seminário internacional, por estarem os acadêmicos que o organizam convencidos da urgência com que seguradoras, fundos de pensão e governantes buscam soluções inovadoras. Saiba mais em http://www.cass.city.ac.uk/longevity-10/ , sendo que inscrições podem ser feitas em http://www.cass.city.ac.uk/longevity-10/registration
A percepção dessa urgência já existe no Brasil, onde, no entanto, ainda não se traduziu na oferta de produtos. Na reunião entre a Abrapp e a Fenaprevi ficou acertado, entre vários outros pontos, que ambas as entidades vão reunir esforços para buscar desenvolver o chamado mercado de anuidades no Brasil, uma vez que este é forte em muitos países mas não aqui.
Um mercado de anuidades é julgado importante para transferir riscos (em especial o da longevidade) dos fundos de pensão para empresas especialistas neles, como são as seguradoras. É também uma forma de garantir um benefício vitalicio aos participantes de planos CD.
A Fenaprevi pretende desenvolver um estudo a respeito.
O Presidente José Ribeiro Pena Neto vem sendo um dos grandes defensores de que sejam feitos maiores esforços na direção de um efetivo mercado de anuidades, algo a que aludiu por último em um seminário em abril. Um pouco antes disso, estudo realizado pela Gama Consultores Associados, a partir das experiências de países como Suiça, Holanda, Austrália, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Bélgica, Itália, Nova Zelândia e Suécia, não deixou margem a dúvidas de que a existência de um ativo mercado desse tipo é de uma importância capital para o fomento da Previdência Complementar.
Mensurar e minimizar os riscos - A dificuldade em rentabilizar os investimentos tornou-se um motivo a mais para não permitir, por exemplo, que as entidades corram certos riscos, especialmente se não estiverem claramente mensurados. Concretizar no Brasil um mercado de anuidades, no contexto de um esforço redobrado para transferir especialmente o risco da longevidade para as seguradoras, mostra-se algo fundamental. “Mas o primeiro passo será sempre identificar e entender muito bem o risco que se está correndo”, destaca Geraldo Magela, responsável na Mercer pela área de previdência para os países do Cone Sul.
Conhecer os riscos é algo que se faz junto com o atuário, na companhia de quem o dirigente vai buscar identificar os potenciais fatores de desvios, considerando as coberturas acertadas, hipóteses utilizadas e em detalhes a massa que se está cobrindo. Afinal, observa Magela, na empresa patrocinadora, dependendo dos salários mas não só deles, um grupo pequeno de executivos pode representar um problema de mais difícil solução para o plano do que um contingente muito maior de trabalhadores. E isso não só no que diz respeito às aposentadorias, mas também às pensões.
Sem perder de vista, quando se terceiriza o risco, completa Magela, o componente custo. Os dirigentes de fundos devem estar muito atentos ao quanto as seguradoras cobram, mesmo porque com a prática interna do próprio fundo de pensão não será difícil comparar valores.
Fonte: ABRAPP, em 04.07.2014.