Atenção Primária à Saúde foi centro do debate da Agência com operadoras certificadas
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou, no dia 7/4, o webinário “Coordenação do Cuidado: Avanços e Desafios na Saúde Suplementar – Operadoras Certificadas em Atenção Primária à Saúde (APS)”, transmitido ao vivo pelo canal da ANS no YouTube para mais de 300 pessoas. O evento reuniu representantes da Agência e de operadoras de planos de saúde, que compartilharam e debateram estratégias de reorganização do modelo de cuidado com base nas premissas da Atenção Primária.
A iniciativa também celebrou o Dia Mundial da Saúde, comemorado na mesma data, cujo tema definido pela Organização Mundial da Saúde em 2026 é “Juntos pela saúde: apoie a ciência”. Dessa forma, o evento alinhou-se à agenda OMS ao reforçar o papel da ciência, dos dados e de modelos assistenciais baseados em evidências na construção de sistemas de saúde mais equitativos, integrados e centrados nas pessoas.
Na abertura, o diretor-adjunto de Desenvolvimento Setorial da ANS, Carlos Gustavo Lopes, destacou a importância do webinário como um tempo reservado à troca de experiências e ao aprendizado. “Cada um dos palestrantes traz diferentes perspectivas sobre a coordenação do cuidado, que vão desde a gestão da qualidade até a organização de linhas de cuidado e a segurança do paciente”, disse Lopes, acrescentando a centralidade da APS como modelo inovador de reorganização da jornada do beneficiário na saúde suplementar. “A proposta é que os usuários ingressem preferencialmente pelo cuidado primário, promovendo maior continuidade e eficiência assistencial”.
Em quase três horas, o webinário não desviou seu foco das discussões sobre melhorias da qualidade da Atenção e dos resultados assistenciais para os beneficiários. Os representantes das operadoras certificadas em APS destacaram a necessidade de migrar de um modelo de cuidado fragmentado, reativo, centrado na doença, para uma abordagem integrada, com foco na APS e na jornada do paciente. A coordenação do cuidado, um dos principais atributos, foi apontada como essencial para melhorar desfechos clínicos, reduzir desperdícios, aumentar a sustentabilidade do sistema e promover o cuidado em tempo oportuno, além de fortalecer o vínculo das equipes com os pacientes.
Outro ponto ressaltado pelas operadoras foi a qualificação da assistência prestada, como, por exemplo, redução de internações desnecessárias e melhora dos resultados em saúde, fortalecendo o acesso e o vínculo com as equipes de referência por meio da reorganização de agendas, priorização de atendimentos e investimentos, monitoramento remoto de pacientes crônicos, programas de prevenção e desenvolvimento de linhas de cuidado.
Próximo ao encerramento, não menos relevante foi a participação de Fernando Faraco, diretor nacional no Brasil do Institute for HealthCare Improvement (IHI), que ressaltou a qualidade das apresentações no webinário da ANS, uma vez que evidenciaram avanços consistentes na APS, tais como ampliação da cobertura populacional, foco no perfil epidemiológico, cuidado coordenado, uso de tecnologia e atuação de equipes multiprofissionais, resultando em maior qualidade assistencial e melhor experiência para pacientes e profissionais. “Todos mostraram estratégias muito objetivas”, disse Faraco. “Vemos aqui que não temos uma APS estacionada no tempo. A operadora não é mais uma vendedora de plano de saúde, mas uma cuidadora do beneficiário”, completou.
Faraco destacou que a universalização desse modelo pode contribuir para melhorar a saúde da população, promover equidade e reduzir custos. Ele também defendeu uma mudança de lógica no sistema – em que as operadoras passem a atuar como gestoras do cuidado. Como provocação, apontou o desafio de ampliar a APS para a maior parte dos beneficiários, questionando os apresentadores sobre quais seriam as barreiras e os caminhos para essa transformação em escala no setor.
Já Eno Dias, Coordenador Médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), destacou a necessidade de ampliar o acesso ao cuidado qualificado na saúde suplementar, com foco na APS como forma de prevenir desfechos clínicos mais graves e reduzir impactos financeiros. Segundo ele, a constante mudança na base de beneficiários — com entrada e saída de pessoas e empresas — representa um desafio estrutural, exigindo a construção de um modelo mais estável e abrangente. O especialista ressaltou a importância da criação de um padrão mínimo de cuidado que garanta a todos os beneficiários o ingresso à APS, com atributos como acesso facilitado, integralidade, coordenação do cuidado e acompanhamento ao longo da vida. Para Dias, essa transformação demanda mudanças mais amplas em todo o setor de saúde suplementar, e não apenas ajustes pontuais em operadoras.
Jacqueline Torres, gerente de Estímulo à Avaliação e Indução da Qualidade Setorial da ANS, finalizou o encontro destacando o grande interesse do público e o elevado número de perguntas enviadas aos participantes. Segundo a gerente, todas as perguntas recebidas serão respondidas e publicadas na página da APS no site da ANS. Jacqueline também ressaltou que o webinário fortaleceu o papel da Agência como indutora da certificação em Atenção Primária à Saúde.
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Fonte: ANS, em 16.04.2026.