Valorização das carteiras com vencimentos menores reflete aversão ao risco
A carteira de títulos públicos marcados a mercado refletida pelo IMA-Geral teve rentabilidade de 0,43% em junho. Os destaques do mês foram os papéis de curto prazo: o principal retorno do período foi do IMA-S, subíndice que reflete as LFTs em mercado, com variação de 1,07%.
“O clima de incertezas dos investidores foi motivado por fatores como as perspectivas de aumento de juros externos acima do previsto, a persistência da inflação no Brasil e a deterioração das expectativas fiscais diante de novos gastos do governo federal, sobretudo nos últimos dias de junho, com a aprovação no Senado de uma nova PEC”, avalia o nosso economista Marcelo Cidade. Segundo ele, isso se traduziu no aumento do prêmio de risco nas curvas de juros, com maior impacto para as carteiras de prazos mais longos.
Além do IMA-S, os demais subíndices que refletem os títulos de curto prazo tiveram os maiores retornos de junho: os prefixados com vencimentos de até um ano, refletidos no IRF-M1, valorizaram 0,93%. Já os prefixados acima de um ano (IRF-M1+) tiveram valorização de 0,09%. O subíndice IMA-B5, que reflete as NTN-Bs até cinco anos, avançou 0,33% no mês, enquanto o IMA-B5+, que acompanha os papéis acima de cinco anos, registrou perda de 1,10%.
No resultado acumulado da primeira metade do ano, o IMA-B5 apresenta a melhor rentabilidade (6,61%), bem acima do desempenho do segundo semestre do ano passado, quando variou 3,24%. Em seguida, o IMA-S acumula retorno de 5,65%. Este índice havia registrado o maior ganho do semestre anterior, com variação de 3,40%. De acordo com Marcelo Cidade, os dados indicam que as apostas mais conservadoras vêm se mantendo relevantes ao longo dos últimos 12 meses, diante de um ambiente de dúvidas e da possibilidade de juros elevados por mais tempo.
Dívida corporativa: foco no curto prazo e nas debêntures incentivadas
Entre os títulos corporativos, o perfil dos rendimentos em junho foi semelhante aos dos papéis públicos, com as carteiras de menor prazo apresentando os principais retornos: a melhor performance do mês foi a do IDA-DI (debêntures indexadas à taxa DI diária), carteira de prazo mais curto, com alta de 1,15%. Em seguida, destaca-se o IDA IPCA Infraestrutura (0,25%), que corresponde à carteira das debêntures incentivadas e que apresenta maior liquidez diante da isenção de imposto de renda para pessoa física. Já o IDA IPCA Ex Infraestrutura, formado por debêntures indexadas que não contam com benefício fiscal, recuou 0,27% no mês. No ano, a melhor performance também é do IDA-DI (6,49%), confirmando a maior aversão ao risco para prazos mais longos no segmento de dívida corporativa.
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Fonte: Anbima, em 08.07.2022.