No dia 3 de março, a Anahp realizou mais uma edição do seu tradicional Café da Manhã, desta vez em parceria com a Osigu, plataforma digital impulsionada por IA para gestão de ponta a ponta do ciclo de receita.
Com o tema “Do atendimento ao recebimento: como destravar o ciclo do caixa hospitalar”, o encontro reuniu lideranças assistenciais, financeiras e de tecnologia para discutir como reduzir fricções ao longo da jornada da conta (do agendamento ao recebimento) e transformar produção assistencial em caixa previsível.
Em um cenário de prazos médios de recebimento elevados, novas exigências das operadoras e aumento das críticas automatizadas, o debate reforçou a mensagem de que eficiência financeira não começa no faturamento. Ela nasce no atendimento e depende de governança, processo estruturado, liderança e uso inteligente de tecnologia.
Participantes:
- Gisele Miranda, coordenadora de Ciclo de Receita da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
- Hanmera Gomes, Product Delivery Specialist da Osigu
- Nathalia Lopes, gerente de Atendimento do Hospital Sírio-Libanês
Confira, a seguir, os principais pontos debatidos:
O atendimento como ponto crítico
Para Nathalia Lopes, a jornada financeira do hospital começa muito antes do faturamento. Ela nasce no agendamento.
“Quando a gente não olha para o início do processo, o caixa vai sentir lá na frente.”
No caso do Sírio-Libanês, especialmente na porta de SADT (Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico), onde são realizados cerca de mil atendimentos por dia, qualquer falha no agendamento pode gerar:
- ausência de autorização;
- divergência de plano ou categoria;
- documentação incompleta;
- retrabalho na recepção;
- impacto direto no faturamento.
Lopes reforçou que experiência do paciente e sustentabilidade financeira são faces do mesmo processo.
“Não adianta acolher, encantar e ser ágil se, no final, a conta não é recebida ou o paciente recebe uma cobrança indevida.”
Entre os pontos críticos destacados no início do ciclo:
- validação correta de plano e elegibilidade;
- verificação prévia das exigências da operadora;
- captura adequada de CRM e pedido médico;
- uso de tecnologia para reduzir falhas humanas.
O atendimento funciona como uma “alfândega” da conta – a última conferência antes que o erro avance para o faturamento.
A adoção de soluções como OCR para leitura de pedido médico, robôs de autorização e validações automáticas durante o atendimento foi apresentada como caminho para reduzir fricções, acelerar a jornada do paciente e proteger o fluxo de caixa.
Previsibilidade e governança no ciclo
Gisele Miranda trouxe a perspectiva do ciclo de receita sob a ótica da sustentabilidade financeira. Com prazos médios de recebimento que podem ultrapassar 70 dias (dados já divulgados pelo setor) o desafio central é receber com previsibilidade.
“Hospital saudável não é o que fatura muito. É o que gira rápido.”
Segundo Miranda, o principal risco está no capital imobilizado no saldo pré-faturamento. Quanto maior o aging das contas paradas nas etapas internas, maior o impacto sobre o capital de giro.
Entre os fatores que comprometem a previsibilidade financeira:
- ausência de controle de aging por etapa;
- perda de prazo no envio de faturamento;
- erros operacionais no XML;
- atuação reativa em glosas;
- falta de ritos estruturados de acompanhamento.
Na BP, a implementação de governança estruturada, rituais diários de monitoramento e atuação preventiva permitiu reduzir perdas operacionais e reverter cerca de 14% de inadimplência inicial associada a falhas de entrega e parametrização.
“O faturamento não é mais uma área operacional. Ele precisa ser estratégico.”
A executiva destacou ainda que liderança é elemento central na estabilização do ciclo:
- método com governança clara;
- tecnologia como suporte;
- cultura de responsabilidade por etapa;
- atuação preventiva em vez de corretiva.
“O resultado sustentável não nasce da pressão. Ele nasce do controle do processo.”
Inteligência artificial como aliada da fluidez
Hanmera Gomes apresentou como a tecnologia pode atuar na redução de fricções ao longo da jornada da conta. A proposta da Osigu automatizar validações documentais e conferências ao longo da jornada da conta, permitindo que as equipes atuem de forma mais estratégica.
Entre os resultados apresentados em projetos implementados:
- 100% dos documentos analisados por IA;
- 35% de divergências corrigidas antes do envio ao backoffice;
- 90% de redução de devoluções entre etapas internas;
- até 50% de redução de retrabalho no pré-faturamento;
- alto nível de automatização na validação e envio do faturamento.
A solução atua desde a validação documental no atendimento até a conferência em nível de guia e item antes da transmissão do XML.
Outro ponto crítico destacado foi o prazo para envio e formalização da documentação junto às operadoras. As janelas podem ser curtas e exigem disciplina operacional. Ao automatizar validações e estruturar checklists sistêmicos, é possível reduzir dias no ciclo e acelerar a liquidez do hospital.
“Se eu não entreguei corretamente, a operadora não vai pagar.”
Integração como novo padrão
O debate concluiu que o ciclo do caixa hospitalar é sistêmico. Erros no agendamento impactam o atendimento. Falhas no atendimento impactam o faturamento. Faturamento mal estruturado compromete o recebimento.
Quando não há dono do dado, o erro circula até parar no caixa.
Entre os pilares reforçados:
- integração entre atendimento, ciclo de receita e tecnologia;
- governança clara por etapa;
- monitoramento contínuo de aging e prazos;
- uso de IA para prevenção de falhas;
- liderança como eixo estruturante do processo.
Conclusão
O Café da Manhã Anahp & Osigu reforçou que destravar o ciclo do caixa hospitalar exige mais do que acelerar o faturamento. Exige método.
Do atendimento ao recebimento, cada etapa precisa funcionar de forma integrada e disciplinada. Quando a jornada da conta é estruturada com governança, acompanhamento e apoio tecnológico, o resultado é previsibilidade.
E previsibilidade é sustentabilidade.
Fonte: Anahp, em 04.03.2026