Seguir as boas práticas para o procedimento tem impacto direto na relação custo-benefício para a instituição
A Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) realizou mais uma edição de seu tradicional Café da Manhã na última terça-feira (22), com o tema “Manutenção de cateteres – relação custo-benefício”. Realizado em parceria com a Viveo, empresa parceira da Associação, o evento contou com a palestra da especialista Claudia Candido da Luz, enfermeira membro da Infusion Nurses Society (INS) e da Association for Vascular Access (AVA), e integrante do Wocova Global Committee – World Congress Vascular Access.
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A especialista iniciou sua apresentação traçando um panorama de algumas práticas relacionadas à cultura de acessos vasculares que, segundo ela, não são mais aceitáveis dentro da nova concepção, além de hábitos já obsoletos. Em seguida, abordou as principais diretrizes recomendadas atualmente. Neste sentido, acrescentou: “Hoje, para pensar em boa prática temos que pensar em prática baseada em evidência, algo que me respalde.”
De acordo com Luz, a execução correta do fluxo para a inserção do cateter é fundamental para que a manutenção durante o período de tratamento possa ocorrer sem eventos adversos ao paciente. Isto inclui as seguintes etapas: escolha do cateter, o uso do ultrassom, preparo da pele do paciente, inserção, fixação e estabilização.
Para a manutenção dos cateteres, a enfermeira comentou sobre os principais cuidados, com o objetivo de fazer “uma administração segura de terapia endovenosa com ausência de complicações, incentivando a remoção quando não for mais necessário”. Entre eles está a higienização das mãos imediatamente antes de manusear o cateter.
Luz contou que, no Hospital Israelita Albert Einstein, instituição em que atua, foram fixados recipientes com álcool gel no suporte do soro para que fique ao lado do paciente e facilite nesta etapa, reforçando esta cultura entre os profissionais.
Outro case do hospital apresentado pela especialista foi em relação à etapa de flushing, que consiste na lavagem do cateter para prevenir sua obstrução, geralmente realizada antes e após a administração de um medicamento. No estudo realizado, durante um mês, a equipe técnica realizou um flushing a mais nos pacientes e, como resultado, não ocorreu nenhum caso de obstrução.
Luz abordou, ainda, como estas manutenções de cateter podem impactar na relação custo-benefício da instituição hospitalar. “É importante termos em mente que muitos pacientes irão receber cateteres, centrais ou periféricos. Temos que ter atenção às complicações que isso pode trazer, porque pode implicar em maior tempo de internação e, consequentemente, mais gastos e um desfecho ruim”, disse.
Para exemplificar a importância deste impacto, a enfermeira mostrou uma iniciativa do Einstein relacionada à infecção da corrente sanguínea por cateter venoso que evitou 85 casos na UTI no período de 2008 e 2010, que custariam R$ 20,4 milhões. Com isso, além da economia financeira, também foi possível ter 1.658 dias de leito liberados. “Conseguimos contribuir para a eficiência operacional do hospital, porque os pacientes que não têm infecção vão embora mais cedo”, concluiu.
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Fonte: Anahp, em 28.11.2022