Por José Estevam de Almeida Prado
A participação do setor privado surge, naturalmente, na medida em que algumas pessoas que estão dispostas a pagar pela vacina e não esperar a sua vez, a exemplo da iniciativa da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC)
A estratégia de vacinação concebida pelos órgãos governamentais em conjunto com algumas instituições do setor de saúde prevê a vacinação escalonada da população, tendo como lógica subjacente a otimização da capacidade de atendimento da rede hospitalar. Assim, os profissionais de saúde têm prioridade zero, pois deles depende o atendimento hospitalar. Em seguida, as pessoas mais vulneráveis (idosos ou portadores de comorbidades) que, além do maior risco de vida, demandam, geralmente, maiores cuidados médicos (em termos de leitos, tempo de internação, uso de medicamentos, atenção dos profissionais de saúde). No entanto, não havendo leitos disponíveis, a prioridade é dada a uma pessoa mais jovem, que tem maior chance de sobrevivência e de se recuperar mais rapidamente. Essa inversão de prioridade mostra que as prioridades estabelecidas estão sujeitas a alterações, de acordo com as circunstâncias. E, esse fato, deve ser levado em consideração ao se discutir a participação do setor privado na aquisição e distribuição de vacinas.
Fonte: Migalhas, em 08.01.2021