Evento aconteceu em 19 de dezembro, no Copacabana Palace, no Rio

“Há exatamente um ano, estávamos aqui neste salão para comentar sobre um difícil período de 2018 e expressar esperança em uma nova agenda para 2019”, afirmou o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, durante seu discurso no Almoço das Lideranças do Setor Segurador. O evento, realizado pela Confederação Nacional das Seguradoras, no Copacabana Palace, em 19 de dezembro, reuniu mais de 300 participantes, entre lideranças do mercado segurador, representantes da imprensa especializada, autoridades governamentais e os finalistas da 9ª edição do Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros da CNseg, cuja cerimônia de premiação dos vencedores ocorreu na mesma tarde.
Em um ambiente de confraternização e expectativa pelo anúncio dos vencedores do Prêmio de Inovação das CNseg, o presidente da CNseg afirmou que o setor deve fechar o ano com um crescimento de dois dígitos, confirmando o prognóstico positivo previamente anunciado. “Embora os avanços no campo da economia e da sociedade ainda não tenham obtido o resultado desejado, há efetivamente o que comemorar”, informou ele, apontando que a taxa de crescimento da arrecadação acumulada até outubro deste ano alcançou o patamar de 12,6%, que é o maior desde 2013.
Coriolano também saudou o aumento da oferta de produtos de seguro em um ambiente de maior concorrência, potencializado pela ampliação do espaço de seguradoras nacionais e estrangeiras e de bancos oficiais no negócio. Abordando o âmbito regulatório, destacou a renovação e a inovação da agenda da Susep e as inúmeras consultas públicas realizadas pela autarquia, referentes a temas relevantes. O presidente da CNseg, porém, lembrou que foram justamente as medidas que não passaram por esse processo de consulta pública, como é o caso da extinção do Seguro DPVAT e da resregulamentação da atividade de corretagem, que estão sob o escrutínio dos poderes Legislativo e Judiciário.
Quem também se declarou otimista foi o presidente da FenSeg, Antonio Trindade, que, devido ao atual cenário de juros e inflação baixos, espera um crescimento da arrecadação do setor de seguros gerais em 2020, visto que, em 2019, seu maior motor, que é o seguro de automóveis, foi muito impactado pela redução das vendas de veículos e, principalmente, pela “concorrência desleal das empresas de proteção veicular”, tendo crescido apenas 4,5%.
Seguindo a mesma linha, o presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser, definiu 2019 como um ano de muitas adversidades, mas muitas oportunidades, informando que em breve o segmento de previdência privada e vida alcançará o patamar de R$ 1 trilhão em reservas.
E em um momento em que o “Brasil avança em sua agenda de reformas”, o setor busca adequar seus produtos e serviços “à nova realidade mercadológica”, sem esquecer seu papel social, capaz de ajudar a resolver “as demandas da sociedade que o estado não pode resolver sozinho”.
As reformas que o País empreende fazem com que o presidente da FenaSaúde, João Alceu Amoroso Lima, acredite que o pior da crise dos últimos quatro anos já tenha passado, tendo a expectativa de que o ano se encerre com o crescimento no número de beneficiários de planos de saúde, como não ocorria desde 2014. João Alceu também destacou o avanço das discussões regulatórias em 2019, com a utilização de critérios mais rigorosos para a incorporação de novas tecnologias no Rol de Procedimentos da ANS. Para 2020, a expectativa concentra-se no avanço do debate do marco legal da saúde suplementar que, após mais de duas décadas, “precisa ser revisado”.
O crescimento de mais de 12% na capitalização em 2019, com suas reservas retomando a trajetória de crescimento e gerando uma expectativa de faturamento de R$ 24 bilhões até o fim do ano, foram celebrados pelo presidente da FenaCap, Marcelo Farinha que, apesar de reconhecer as muitas conquista deste ano, não deixou de abordar os desafios enfrentados, como foi o caso dos mercados irregulares. Em relação a 2020, crê no crescimento, mas não descarta que haverá desafios.
Afirmando que o setor segurador ainda tem um grande espaço para se desenvolver, a superintendente da Susep, Solange Vieira, disse que a Superintendência de Seguros Privados atua justamente para isso. Nesse sentido, a partir de fevereiro, informou ela, a apólice eletrônica já deverá estar autorizada para grandes riscos e, em mais um ano e meio, todos os segmentos poderão utilizá-la. “Atuamos para que o setor possa trabalhar ‘na palma da mão’, com contratos feitos pelo celular”, declarou Solange. Sobre a MP 905, que desregulamentou diversos mercados, inclusive o de corretores, disse acreditar que será positiva para a sociedade, para as empresas e até para os corretores, apesar “de algumas quebras de ovos que possam ocorrer”. Lembrando que naquela tarde o STF avaliava a validade da medida provisória que extinguia o Seguro DPVAT, Solange Vieira desculpou-se por não poder ficar até o fim da cerimônia.
O diretor-presidente da ANS, Leandro Fonseca, que está encerrando seu mandato à frente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, defendeu a regulação do mercado, afirmando que ela estabeleceu parâmetros de profissionalização que se refletem no crescimento de 50% no número de beneficiários nos últimos vinte anos, enquanto a população brasileira cresceu apenas 20%. “A regulação traz segurança e credibilidade, mas isso não significa que não deva ser reformulada e isso está no nosso foco”, afirmou.
Fonte: CNseg, em 20.12.2019