O setor de seguros tem incorporado a sustentabilidade em seus negócios. As realidades de cada país são diferentes, mas está claro o entendimento de que esse é o caminho a ser seguido. Por causa disso, o tema central da 38. Conferência Hemisférica FIDES, a Fides Rio 2023, será “Seguros para um Mundo mais Sustentável”. O encontro será realizado nos dias 24, 25 e 26 de setembro, no Rio de Janeiro, e promoverá debates e trocas de experiências em diversos tópicos, mas todos relacionados de alguma forma à agenda da sustentabilidade.
Uma preparação para os debates da conferência aconteceu durante a Oficina Brasil FIDES de Inovação em Seguros, realizada no último mês de abril, reunindo representes das associações seguradoras do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Organizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), o evento permitiu discussões em torno da adoção de boas práticas relacionadas às questões ambientais, sociais e de governança (ASG) por parte das empresas de seguros. Além desses, foi tratado outro tema relevante para os negócios, a segurança cibernética.
Para o setor segurador, questões ambientais e mudanças climáticas têm grande impacto já que tais eventos, muitas vezes extremos, ampliam perdas seguradas de vários ramos e modalidades de seguros. Um dado significativo do Brasil é que 86,4% das seguradoras associadas à CNseg já integram as questões ASG em suas estratégias de negócios, de acordo com o Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros.
América Latina
Em outros países latino-americanos a pauta de sustentabilidade ainda deve ganhar mais espaço. De acordo com representantes do setor segurador de Argentina, Uruguai e Paraguai, por exemplo, há interesse dos executivos desses países em avançar nessa agenda, embora sejam necessários muitos passos a serem dados nesse caminho.
Na Argentina, segundo o diretor-executivo da Associação Argentina de Companhias de Seguros, Gustavo Trias, é preciso ampliar as normas regulatórias que dão norte às companhias.
O diretor Executivo da Associação Argentina de Seguradoras fala sobre as questões ASG no seguro
O diretor da Associação Uruguaia de Empresas de Seguros, Alejandro Veiroj, relatou que o Uruguai também carece de normas a respeito do tema ASG, mas um protocolo de intenções das empresas que atuam no mercado local em avançar nesse sentido. O mesmo acontece no Paraguai, de acordo com a Associação Paraguaia de Companhias de Seguros.
O presidente da Associação Paraguaia de Companhias de Seguro fala sobre as questões ASG na sociedade
Papel indutor
Os temas da agenda sustentável são fundamentais não só para as estratégias de negócios do seguro, mas também para que o mercado segurador exerça seu papel de indutor de práticas socioambientais responsáveis pelos demais mercados. Na linha do mercado financeiro, que tem sido estimulado por normas que visam integrar fatores sociais e ambientais na análise de riscos, há o entendimento de que ao incluir questões de sustentabilidade em seu modelo de negócios, as seguradoras influenciam toda a sua cadeia de valor. Isso acontece porque passam a exigir compromissos de seus segurados como condição para a contratação de apólices, como a de danos ambientais.
Não é à toa que os seguros e as atividades financeiras são dois dos segmentos mais regulados nos países. As agências reguladoras, em parceria com o mercado, exercem um papel muito importante nesse sentido ao promoverem ações e ditarem normas que promovam uma economia mais sustentável.
Fonte: Fides Rio 2023, em 01.06.2023