Duas fontes distintas de informações mostram o mercado acionário se recuperando aqui e no exterior. Para os fundos de pensão, que figuram entre os maiores investidores institucionais presentes na BM&FBovespa e começam devagar a alocar recursos lá fora, esse é o tipo de tendência que merece ser acompanhada de muito perto. Convém saber, por exemplo, que no acumulado do ano passou de 30 para 36 o número de países cujos mercados apresentam retorno positivo, dentre os 46 analisados pela MSCI a partir do comportamento de seus índices globais de ações.
Um detalhe: trata-se de uma tendência recente. O comportamento dos índices da MSCI mostra também que, se estendido o período analisado para os últimos 12 meses, o número de países em que o mercado acionário comportou-se favoravelmente cai pela metade, dos atuais 36 para apenas 18.
Abril foi um mês bom para as bolsas latino-americanas de um modo geral, não se limitando ao comportamento da BM&FBovespa, algo que permite ver que estamos diante de um fenômeno mais amplo e não apenas episódico. A oscilação cambial das moedas latino-americanas frente ao dólar explica parte do comportamento das bolsas, nota Ricardo Weiss, diretor consultivo da MSCI.
A Bolsa brasileira já acumula este ano uma alta de 16,1%, algo que pela expressividade do percentual e sua duração de vários meses sugere ser este um movimento que merece ser analisado com cuidado. Segundo apurou o jornal Valor, a valorização se explica basicamente por fatores como a ampla liquidez registrada no mundo, o aparente adiamento do momento a partir do qual os juros voltarão a subir nos EUA, a promessa de aprovação pelo Congresso brasileiro do pacote de ajuste fiscal, o fato de as ações brasileiras estarem relativamente baratas em dólar, publicação do balanço da Petrobras e menor possibilidade de racionamento de energia no Brasil.
Como resultado desse panorama, no acumulado de 2015 o saldo do ingresso de recursos aportados por investidores do exterior já sobe a R$ 17,4 bilhões. Somente em abril a entrada líquida foi de R$ 7,6 bilhões.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 07.05.2015.