Por Bruna Chieco

Trazendo como tema “A vida que eu ainda vou viver”, a Abrapp promoveu mais uma edição do Dia do Aposentado, evento anual que celebra a trajetória dos participantes assistidos das EFPC. Realizado nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, com transmissão pelo canal da associação no YouTube, o encontro contou com um momento especial de homenagem aos aposentados das entidades associadas, que contou com 78 homenageados.
Durante a abertura do evento, o Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva, destacou que as EFPC possuem a ausência de finalidade lucrativa, tendo assim um papel social. “A entidade fechada existe exclusivamente para pagar benefícios. Tudo o que se produz em termos de rentabilidade pertence aos participantes e aos aposentados. A previdência é um compromisso coletivo, um projeto de país, um verdadeiro pacto de solidariedade entre gerações”, disse.
Devanir reforçou que o Brasil avança quando reconhece quem ajudou a construir o presente. “Este é o evento mais significativo do calendário da Abrapp, porque representa uma justa homenagem àqueles que são a razão de existir das entidades fechadas. Não estamos aqui apenas para falar de planos ou resultados, mas para reconhecer histórias de vida. Histórias que nos inspiram e dão sentido ao nosso trabalho”.
Ainda na abertura, o Diretor-Superintendente da Previc, Ricardo Pena, destacou que o setor reúne atualmente cerca de 690 mil aposentados e pensionistas. Ele ressaltou que a Previc acompanha de perto o funcionamento das entidades, cumprindo seu papel institucional de supervisão e normatização. “A Previc está muito atenta ao seu mandato, que é supervisionar e normatizar as entidades para assegurar o pagamento mensal dos recursos”, explicou. Hoje, esse montante chega a aproximadamente R$ 110 bilhões por ano.
Pena destacou que o envelhecimento da população deve ser visto de forma positiva. “Se a população está envelhecendo, é porque conquistou isso. Conquistou envelhecer com saúde e com qualidade de vida”. Ele também chamou a atenção para a importância do relacionamento das entidades com seus públicos e reforçou que mais do que obter certificados, selos ou participar de rankings, as entidades precisam manter um olhar atento à comunicação e ao atendimento acolhedor.
Por fim, o secretário de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, Paulo Roberto dos Santos Pinto, destacou a importância de ampliar o olhar sobre o mercado de trabalho e a inclusão de pessoas em idades mais elevadas. Para ele, o enfrentamento ao etarismo é central nesse processo. “Nós precisamos fazer, cada vez mais, esse debate contra o etarismo, porque os aposentados e as pessoas com mais idade são hoje protagonistas da economia”, ressaltou.
Paulo Roberto enfatizou ainda que essas pessoas já construíram patrimônio, trajetória profissional e estabilidade financeira, o que as coloca em posição estratégica para impulsionar diferentes setores e contribui para o crescimento da chamada economia prateada, que vem alavancando tanto o mercado financeiro quanto o de consumo.
Tecnologia, longevidade e novos sentidos para a vida – Uma das palestrantes mais reconhecidas do país, Leila Navarro, autora de livros sobre comportamento, desenvolvimento humano e propósito de vida, trouxe uma reflexão profunda sobre o impacto da inteligência artificial, da tecnologia e das transformações contemporâneas na vida das pessoas, especialmente no contexto da maturidade e da aposentadoria.
“Ninguém mais vive sem inteligência artificial. Mesmo que você não use diretamente, ela está em todo lugar, o tempo todo, na sua vida”, afirmou. Leila destacou a necessidade de compreender como o comportamento e as relações humanas têm lidado com a velocidade das mudanças tecnológicas. Segundo a palestrante, quando bem utilizada, a IA pode ampliar horizontes e possibilidades, e ela veio para ficar.
“Estamos falando de uma transformação civilizatória. Isso vai mexer com o mercado de trabalho, com a nossa identidade e com a nossa forma de viver. É uma nova revolução industrial, diferente das outras, que exigirá adaptação e responsabilidade”, reforçou.
Leila também provocou que, em um mundo tão tecnológico, ser humano é um ato de resistência. Para a palestrante, a maturidade traz um diferencial essencial nesse cenário. “Nós, que temos experiência de vida, conseguimos perceber coisas que, muitas vezes, o jovem, totalmente imerso nesse mundo digital, não consegue”.
Ao abordar a aposentadoria, a palestrante destacou a importância de cultivar novos projetos e sonhos. “Pensar em coisas que você não teve oportunidade de desenvolver e que agora pode fazer é muito importante. E, na verdade, você pode começar no presente. Eu tenho muitos sonhos e isso tem que ser feito agora, não é algo para ser adiado”, afirmou.
Para a convidada, aprender, manter a curiosidade, compartilhar experiências e provocar reflexões são elementos que dão sentido à vida. “Talvez você tenha encontrado um novo ‘fazer’ depois da aposentadoria. Mas e se esse novo fazer não trouxer alegria? É por isso que eu gosto tanto de conhecer e refletir sobre tendências”.
Clique aqui para conferir a gravação do evento.
Fonte: Abrapp em Foco, em 29.01.2026.