
O Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, abordou a janela de oportunidades aberta para o crescimento da Previdência Complementar Fechada e os desafios para a gestão do estoque de recursos dos planos de benefícios em palestra realizada nesta quinta, 21 de novembro, em Fortaleza (CE). Ele participou do primeiro dia do 26º Seminário de Investimentos e Benefícios, promovido pela Capef que traz como tema principal os “Cenários da Previdência Complementar no Período Pós-Reforma”, que continua nesta sexta, 22 de novembro.
O tradicional evento da Capef contou com abertura do Diretor Presidente da entidade, Jurandir Mesquita, que comentou que a Previdência vive um momento de grandes transformações. “Em um cenário de grande mudança, vemos oportunidades de crescimento para novos produtos previdenciários. Nossa vantagem é que não temos fins lucrativos e, por isso, podemos entregar melhores resultados e benefícios maiores”, disse. O dirigente falou que a Capef tem promovido ações para incorporar inovações tecnológicas na gestão e que estão resultando na redução de custos.
Uma das novidades anunciadas por ele é a preparação para o lançamento de um novo plano voltado aos familiares de participantes, que já foi aprovado pelo Conselho Deliberativo da entidade e que atualmente, encontra-se em análise pela Diretoria do Banco do Nordeste “É uma demanda dos próprios participantes que pedem para inscrever seus familiares ou realizar a portabilidade de planos de outros bancos. Isso mostra a relação de confiança dos participantes com a Capef”, contou Jurandir Mesquita.
O Diretor Presidente da Capef introduziu também um dos temas centrais do evento, que é a discussão sobre os desafios enfrentados em função da redução da taxa de juros da economia doméstica. “Convivemos muito tempo com juros altos. Agora temos a perspectiva de contarmos com juros reais zerados. Temos de buscar investimentos com retornos maiores, mas teremos de fortalecer a análise dos riscos envolvidos”, disse. Ele comentou que a Capef tem ampliado a alocação em ações e, recentemente, aprovou aplicações em fundos multimercados.
Em seguida, o Presidente do Conselho Deliberativo da Capef, Henrique Tinoco de Aguiar também abordou a questão da redução das taxas de juros no Brasil, que já estão praticamente equiparadas com as economias mais desenvolvidas. Por isso, a entidade terá uma necessidade de aprofundar o debate na busca de alternativas de investimentos para superar as metas a partir de 2020. Também participaram da mesa de abertura o representante da presidência do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Cláudio Freire Lima, e o Vice Presidente do Conselho Fiscal da Capef, Leonardo da Hora Barreto.
Pós-Reforma - O Diretor Presidente da Abrapp ressaltou a solidez do sistema de entidades fechadas (EFPC) que administra ativos que somam R$ 970 bilhões e paga anualmente R$ 60 bilhões em benefícios para 850 mil assistidos. “Nosso sistema vem comprovando que sabemos gerir recursos de longo prazo. Pagamos em dia mais de R$ 60 bilhões em benefícios por ano e alcançamos solvência de 100%”, disse Luís Ricardo em sua palestra.
O representante da Abrapp reforçou que as associadas têm cumprido fielmente sua função social e que, por isso, estão se preparando para aproveitar as oportunidades de crescimento no período pós-reforma. Luís Ricardo voltou a lembrar a importância da aprovação da Reforma da Previdência com critérios paramétricos, mas também que será necessário continuar defendendo mudanças estruturais. Para isso, a Abrapp mantém a defesa do modelo previdenciário proposto pela FIPE-USP, elaborado sob a coordenação do Professor Hélio Zylberstajn.
Enquanto isso, as entidades fechadas continuam se movimentando para aproveitar o aumento da conscientização da população sobre a necessidade de se contar com planos de Previdência Complementar. “Vamos fazer a Previdência Complementar Fechada chegar ao maior número possível de pessoas, com foco no novo perfil do trabalhador formado pelos nativos digitais. Por isso, estamos inovando com a criação de novos produtos”, disse. Ele se referiu especialmente aos novos planos voltados aos familiares de participantes que buscam oferecer inovações digitais para facilitar o acesso das novas gerações.
Infraestrutura - Luís Ricardo falou ainda sobre o potencial que as entidades fechadas possuem para financiar os projetos de infraestrutura que o país necessita. Com a redução das taxas de juros, os fundos deverão ampliar a diversificação de suas aplicações, sempre observando os níveis compatíveis de risco. Porém, terão de analisar e aplicar seus recursos em projetos de infraestrutura na condição de investidores de longo prazo. O primeiro dia do evento contou ainda com mais sete palestras sobre investimentos e benefícios ministradas por especialistas de renomadas instituições financeiras.
Fonte: Acontece Abrapp, em 22.11.2019