Por Jorge Wahl

Muito embora as nossas entidades fechadas não estejam ainda obrigadas a se reportar às normas IFRS S1 e IFRS S2, ambas destinadas a estabelecer os padrões para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e fatores climáticos, por certo, delas se beneficiam. Na verdade, é um benefício tão importante que justificou ter a Abrapp se juntado ao Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade – CBPS para criar a estrutura deste último Grupo de Trabalho com 11 integrantes e inteiramente voltado à tratar de questões pertinentes à previdência complementar fechada.
Afinal, as EFPC não são mesmo subordinadas às duas normas, mas são delas beneficiárias por extrair de ambas, informações valiosas. E, nesse sentido, o impacto sobre as nossas entidades não parece pequeno. Aliás, estudar melhor como somos de diferentes formas impactados é uma das prioridades do GT em 2026, especialmente no tocante aos investimentos, gestão de riscos e responsabilidade fiduciária, além de uma ideia mais clara da cadeia de valor na qual se insere a previdência complementar.
Alessander Brito (foto acima), Coordenador do Sub grupo Leste da CTR Leste-Sudeste de Contabilidade e representante da Abrapp junto ao Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade, chama a atenção para a importância de se começar o trabalho pela análise a partir da cadeia de valor do segmento de previdência complementar fechada. É melhor começar identificando quem produz informações de sustentabilidade, quem as utiliza e como essas informações circulam entre os diversos agentes.
Ele sublinha que “esse exercício nos levou à conclusão de ser fundamental construir uma visão sistêmica da cadeia de valor das EFPC. E quando a observamos percebemos que ela é muito mais ampla do que a própria entidade, por envolver reguladores, patrocinadoras, gestores terceirizados, empresas investidas, prestadores de serviços, participantes e assistidos. Cada um desses agentes influencia ou é influenciado pelas decisões relacionadas à sustentabilidade”.
O CBPS, cuja estrutura o GT está ligado, é um órgão técnico voltado à elaboração e padronização de normas para divulgação de informações sobre sustentabilidade corporativa e práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) no Brasil. Ele é vinculado e apoiado administrativamente pela Fundação de Apoio ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis e de Sustentabilidade (FACPCS), atuando nos mesmos moldes do Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
Fonte: Abrapp em Foco, em 03.07.2026.