Por Jorge Wahl

Com R$ 1,4 trilhão sob administração, nossa vertente da previdência privada é com certeza, exemplo de qualidade na gestão e realização dos compromissos com a sociedade brasileira. Pois essas virtudes conhecidas estão a ponto de ganhar um reforço, com a criação neste ano, pelo Colégio de Coordenadores das Comissões Técnicas de Investimentos, de dois Grupos de Trabalho (GT) voltados para questões que ganham cada vez mais relevância na alocação de recursos.
São 2 GTs, um deles destinado a aprimorar a governança dos investimentos e o outro, para melhorar a experiência e dessa maneira fomentar as alocações guiadas por preocupações ambientais, sociais, de governança e defesa da integridade – ASGI. Ambos os grupos têm até o final deste ano para concluir suas missões e apresentar seus resultados.
Os grupos de trabalho foram criados a partir de sugestão de João Carlos Ferreira (foto acima), Diretor Vice-Presidente e responsável pela área de Investimentos na Abrapp, com o objetivo de tornar as entregas das comissões técnicas de investimentos mais práticas e alinhadas às necessidades da gestão das entidades. Em suas participações em eventos, o dirigente vem insistindo em que as ações devem ser capazes de mostrar resultados.

Carlos Salami (foto ao lado), Secretário do Colégio de Investimentos, resume: “A criação dos GTs vai ampliar ainda mais o envolvimento dos profissionais técnicos nas discussões sobre esses temas cada vez mais estratégicos e relevantes para o nosso segmento”. Ao mesmo tempo em que “representa um passo adicional no sentido de dar maior foco, organização e efetividade às diferentes iniciativas”.
Por sua vez, Nayara Queiroz (foto abaixo), coordenadora do GT voltado para a temática ASG, destaca que a iniciativa “reflete um movimento importante de amadurecimento do sistema, diante de um cenário em que as exigências regulatórias vêm evoluindo e demandando maior estruturação por parte das EFPC”.
Salami explica o que foi solicitado a cada grupo. Ao GT ASG foi atribuída inicialmente a tarefa de mapear as práticas ASG atualmente adotadas na gestão dos investimentos das EFPC. Além disso, a expectativa é que irá promover debates com outras comissões, entidades especializadas, gestoras de recursos e com a Previc, com o objetivo de reunir subsídios para o desenvolvimento de orientações e políticas mais claras para o segmento, em consonância com a evolução regulatória do tema no sistema.
Como resultado desse trabalho, está prevista a elaboração de um guia de referência que consolide conceitos, diretrizes e boas práticas relacionadas à incorporação de critérios ASG na gestão dos investimentos das EFPC.
Já o GT de Governança dos Investimentos tem como objetivo elaborar e disponibilizar um questionário de autoavaliação que auxilie as entidades a identificar o grau de aderência de suas práticas aos requisitos estabelecidos no Código de Autorregulação em Governança de Investimentos. Salami destaca que esse questionário terá caráter exclusivamente orientativo. As entidades interessadas em obter o selo de certificação serão avaliadas posteriormente no âmbito do processo formal para que se certifiquem, observados os critérios e procedimentos definidos pela Abrapp.
O objetivo é promover uma contribuição mais prática e aplicada para o aprimoramento das práticas das entidades, por meio da elaboração de orientações, ferramentas e recomendações que possam apoiar a tomada de decisão e fortalecer a governança e a gestão dos investimentos.

De sua parte, Nayara observa que “mais do que uma agenda acessória, que deixou de ser por vivermos em um mundo pressionado por novas demandas, os aspectos ASG passam a ocupar um papel estruturante sob a ótica de identificação, mensuração e mitigação de riscos financeiros materiais.
Nesse contexto, prossegue ela, o principal desafio está menos na definição do “o que” deve ser observado — já sinalizado pelo regulador — e mais no “como” implementar, de forma prática, proporcional e aderente às diferentes realidades das entidades. O objetivo do grupo é justamente avançar na construção de referências técnicas e metodológicas que possam apoiar as EFPC nesse processo.
Fonte: Abrapp em Foco, em 15.05.2026.