Por Alexandre Sammogini

A Abrapp acaba de disponibilizar para suas associadas a 2ª edição do estudo Finance Insights Previdência preparado pelo Professor e Pesquisador José Roberto Afonso e sua equipe. O estudo reúne indicadores sobre demografia, mercado de trabalho, proteção previdenciária e poupança e amplia o debate sobre a arquitetura previdenciária brasileira.
A transformação demográfica brasileira e as mudanças no mercado de trabalho estão impondo novas questões para o futuro da previdência. Como sustentar proteção de longo prazo diante de uma base contributiva que também está mudando?
Esse é um dos pontos centrais da 2ª edição do Finance Insights Previdência, publicação produzida pela Finance Consultoria especialmente para a Abrapp. O novo estudo reúne indicadores fiscais, demográficos, previdenciários e de poupança e coloca em perspectiva alguns dos desafios estruturais do sistema.
“Mais do que adaptar os sistemas existentes, o grande desafio é pensar uma nova previdência, capaz de responder simultaneamente às transformações demográficas e às mudanças no mundo do trabalho. O perfil ocupacional das gerações mais jovens é hoje bastante distinto daquele observado entre as faixas etárias mais velhas, ou seja, é marcado por trajetórias profissionais menos lineares, maior rotatividade e formas de inserção no mercado de trabalho que nem sempre se ajustam aos mecanismos tradicionais de contribuição previdenciária”, diz José Roberto.
Ele explica que, no caso brasileiro, esse desafio se torna ainda mais relevante diante de uma transição demográfica particularmente acelerada, em comparação com aquela experimentada por grande parte dos países desenvolvidos.
Projeções para 2060 – Entre os dados apresentados, a projeção da relação entre contribuintes e beneficiários chama a atenção. O indicador passa de 1,97 contribuinte por beneficiário em 2022 para 0,86 em 2060. Ao mesmo tempo, o estudo mostra mudanças na composição da própria base contributiva, com crescimento mais acelerado das contribuições individuais e vinculadas ao Simples em comparação àquelas associadas ao emprego formal.
Outro dado relevante está na formação de poupança. Em 2024, 10,1% dos adultos declararam ter poupado formalmente para a velhice, segundo o indicador utilizado pelo Banco Mundial. A publicação também chama atenção para o impacto da renda, da informalidade e das características do mercado de trabalho sobre a capacidade de ampliar essa poupança.
Nesse contexto, mais do que buscar um modelo previdenciário vencedor, é necessário construir um novo arranjo capaz de incorporar essas diferentes transformações, aponta o Pesquisador. “A experiência internacional analisada neste boletim mostra, de um lado, respostas de curto prazo, sobretudo por meio de reformas paramétricas destinadas a ajustar os sistemas às mudanças demográficas. De outro, começam a aparecer alterações de caráter mais estrutural e de longo prazo. Entre elas estão a criação ou ampliação de fundos de capitalização com adesão automática”, comenta José Roberto.
Novas iniciativas – O estudo analisa iniciativas importantes como é o caso do fortalecimento de fundos ocupacionais como instrumento de formação de poupança de longo prazo destinada à aposentadoria, a revisão da distribuição das contribuições entre trabalhadores, empregadores e Estado e, em alguns casos, a ampliação dos subsídios públicos destinados à cobertura previdenciária.
Também ganham espaço propostas de diversificação das fontes de financiamento, inclusive por meio de receitas não diretamente vinculadas à folha de salários e financiadas por outros tributos. O conjunto dessas iniciativas aponta para uma transformação gradual do financiamento previdenciário e para a construção de arranjos mais diversificados, nos quais repartição, capitalização, poupança ocupacional e financiamento estatal possam assumir papéis complementares, aponta o estudo.
“Mais do que substituir um modelo por outro, portanto, a tendência observada é a busca por sistemas capazes de distribuir melhor os riscos e as fontes de financiamento diante de estruturas demográficas e mercados de trabalho muito diferentes daqueles que deram origem aos sistemas previdenciários tradicionais”, defende José Roberto.
A edição ainda compara diferentes experiências internacionais e amplia a discussão sobre as transformações demográficas, econômicas e do trabalho.
Clique aqui para acessar a 2ª edição do Finance Insights Previdência na Biblioteca Digital da Previdência Complementar – Abrapp
Fonte: Abrapp em Foco, em 02.10.2026.