Por Alexandre Sammogini

Representantes da direção da Abrapp, do Colégio das Comissões de Investimentos e do Comitê de Sustentabilidade participaram de reunião com o Diretor de Normas da Previc, Alcinei Cardoso Rodrigues, e membros de sua equipe, para apresentar resultados da pesquisa ASG (ambiental, social e governança) com informações das entidades fechadas (EFPC) nesta terça-feira (26/05). Na mesma reunião, o diretor da autarquia apresentou a minuta da portaria que irá regulamentar a Resolução Previc 26/2025 quanto aos critérios e exigências dos investimentos ASG para o setor.
Participaram da reunião o Diretor Vice-Presidente e responsável pela área de investimentos da Abrapp, João Carlos Ferreira, o Superintendente-Geral, Marcelo Coelho, a Coordenadora do Grupo de Trabalho de Investimentos ASG da Abrapp, Nayara Queiroz, a Coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da Abrapp, Raquel Castelpoggi, o Coordenador-Geral de Normas da Previc, Claudiomiro Quintal Jr, e representantes das cinco maiores fundações do país em termos de patrimônio.
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Alcinei Rodrigues adiantou que a autarquia vai receber sugestões da Abrapp e de algumas outras associações representativas do mercado para o aperfeiçoamento da minuta da futura norma ASG. “Nós da Abrapp vamos recolher as sugestões para a melhoria da minuta da nova norma entre as associadas”, adiantou Marcelo Coelho.
Levantamento – A pesquisa realizada junto às EFPC teve como principal objetivo construir um diagnóstico do estágio atual de incorporação de critérios ASG na gestão de investimentos. Com base em 57 respondentes, o estudo buscou compreender não apenas o nível de maturidade das entidades, mas também identificar desafios, práticas adotadas, lacunas metodológicas e aspectos operacionais relacionados à integração ASG, especialmente no contexto da crescente agenda regulatória.
Do ponto de vista do perfil da amostra, observa-se predominância de entidades enquadradas nos segmentos S2 e S3, com elevada presença de gestão terceirizada – mais de 50% do patrimônio em mais da metade das EFPC. “Esse dado reforça a relevância do tema ASG na relação com gestores externos, indicando que a evolução da agenda passa, necessariamente, pela incorporação de critérios também na seleção, contratação e monitoramento desses prestadores”, explica Nayara Queiroz.
Em termos de maturidade, observa-se que a maioria das EFPC ainda está em fase inicial ou intermediária, com metodologias de relevância e materialidade em desenvolvimento e baixa adoção estruturada da dupla materialidade. Nayara acrescenta que, na prática, a integração ASG nas decisões ocorre de forma majoritariamente parcial, com maior aplicação em renda fixa e variável.
Desafios – Entre os principais desafios, que serão enfrentados pelo GT, destacam-se a falta de padronização de métricas, limitações técnicas, ausência de metodologias consolidadas, dificuldade na obtenção de dados e desafios relacionados à gestão terceirizada. No campo da governança e estrutura das entidades, de modo geral o tema ainda é pouco institucionalizado, com baixa formalização, ausência de áreas dedicadas. Apesar disso, há avanço gradual, com interesse crescente em boas práticas e iniciativas voluntárias, além de demanda por capacitação, padronização e clareza regulatória.
A Coordenadora do GT de Investimentos ASG da Abrapp conclui que os resultados da pesquisa subsidiarão as discussões da minuta de portaria elaborada pela Previc e será alvo de trabalho da reunião do Projeto do Colégio de Investimentos para 2026 – 2027: Riscos e Impactos Ambientais, Sociais e de Governança (ASG). O trabalho tem o objetivo de apoiar a Abrapp na coleta e consolidação de sugestões para a minuta a ser oportunamente submetida à consulta restrita pela autarquia, contribuindo para o avanço regulatório e maior alinhamento do setor.
Fonte: Abrapp em Foco, em 27.05.2026.