O CEO da Mapfre no Brasil, Wilson Toneto, vê chance de maior alta na carteira auto com novo acordo com BB Seguridade, mas pondera reajuste de preços ante ‘efeito rebote’ de 2017
A recompra da carteira de automóvel pela Mapfre na nova reestruturação com a BB Seguridade dará maior autonomia à seguradora espanhola e poderá trazer altas mais significativas na modalidade. Por outro lado, mesmo em um cenário de sinistralidade mais controlada, os juros baixos e a lenta retomada ainda trazem o “rebote” no reajuste dos preços do seguro.
Em entrevista exclusiva ao DCI, o CEO da Mapfre no Brasil, Wilson Toneto, fala sobre o novo modelo de parceria com a holding do Banco do Brasil e traz as principais expectativas sobre o desempenho da seguradora e da indústria.
A atuação independente em auto pode trazer um crescimento maior no produto?
Eu acho que sim. Teoricamente, isso dá uma autonomia maior de investimento e evolução e possibilita tratar as margens de forma diferente e até ser mais ousado na carteira. Mas é preciso separar os fatores societários dos de negócio. Isso ajuda, mas o que garante o crescimento é a economia retomando, os novos financiamentos saindo. Então, a melhora nas vendas de veículos 0 km já é positiva para a seguradora? Houve uma boa reação da indústria nos últimos meses – e crescemos bastante em linha com o mercado –, mas com tudo o que aconteceu em maio [a greve dos caminhoneiros], isso pode arrefecer um pouco. Além disso, ainda temos dúvidas se esse crescimento continuará sustentável em função das incertezas que temos hoje no País. Esperamos que a retomada continue porque é um movimento muito importante para retroalimentar o mercado de seguros, mas em um ritmo diferente do que vimos até agora.
A Mapfre pensa em atuar no seguro auto popular?
O auto popular é um desafio para todo o mercado, mas já temos o produto em atividade dentro da nossa casa e mantemos conversas regulares [com o setor] para não cometermos nenhum risco estratégico. O produto não é fácil até pela questão da judicialização onde, embora haja uma regulamentação, há um grande risco. Todas as companhias estão se preparando e acho que no segundo semestre isso já deve começar a engatilhar.
E quanto ao risco de novas manifestações? Pode haver alta na sinistralidade?
Podem acontecer, mas não em volumes que afetem a nossa indústria. Como na greve dos caminhoneiros, até há um ou outro caso de indenização, mas outras modalidades com sinistralidades menores, como colisão ou roubo de veículos, acabam compensando. Nesse caso, vemos outros problemas mais sérios e que afetam de forma mais significativa, como a violência urbana que segue muito elevada. Dizem que o seguro no Brasil é caro, mas as condições nas quais oferecemos os produtos são muito adversas. Mas a sinistralidade que temos hoje já é menor do que a que vimos nos últimos anos. A sinistralidade está menor, mas isso não significa resultados melhores. Ela é importante, mas não é a única que compõe a rentabilidade de uma seguradora. Quando o resultado financeiro cai em um cenário de juros menores, eu sou obrigado a fazer com que meus outros componentes sejam mais eficientes.
Além disso, parte da queda também se deve porque muitas seguradoras deixaram de contratar determinados riscos para certos locais até mesmo como uma tentativa de reestruturação da carteira.
Fonte: DCI, em 28.06.2018.