De acordo com a ISO 31000 de 2018, a gestão de riscos é um conjunto de atividades coordenadas para dirigir e coordenar uma organização ou empresa no que se refere a riscos, e risco é o efeito da incerteza em relação aos objetivos.
De forma prática, o que isso tem a ver com a crise que estamos vivendo?
Em primeiro lugar, é necessário entender a origem e o significado da crise. No caso específico da Pandemia do Covid-19, estamos experimentando as consequências da concretização de um risco biológico de proporções globais, o que significa um alto nível de exposição a impactos nas esferas operacionais, tecnológicas, econômicas, políticas e com reflexos nas relações nacionais e internacionais, na cadeia produtiva, nas relações de consumo, na bolsa de valores, no comportamento do consumidor, no PIB, no sistema público e privado de saúde, entre outros inúmeros reflexos não menos importantes.
Em virtude dessa e de outras crises vivenciadas ao longo de décadas – em especial no final da década de 1990 -, os órgãos reguladores de sistemas financeiros e mercado de capitais vêm aderindo a padrões e normas que ampliam as exigências legais, inclusive as relacionadas à gestão de riscos corporativos.
Em segundo lugar, é necessário saber que uma situação de crise exige tomadas rápidas de decisão, ações imediatas e mudanças estratégicas tempestivas e adequadas aos impactos imediatos e futuros que a crise vai desenhando no seu decorrer.
Mas por onde começar a agir?
Esta é uma dúvida recorrente nos momentos de crise, pois fatores como ansiedade, medo e mudanças repentinas acabam interferindo na capacidade de tomar decisões rápidas e assertivas, o que leva muitas empresas a perderem o timing e consequentemente entrarem em uma curva de declínio, perdendo mercado ou enfrentando dificuldades ainda maiores.
Na Quanta Previdência, foi neste momento que a gestão de riscos se tornou uma aliada ainda mais importante, permitindo aos órgãos de governança a tomada de decisões ágeis baseadas em níveis de exposição e controles identificados previamente, direcionando ações e esforços para garantir a continuidade do negócio e a redução dos impactos.
As estratégias de enfrentamento da crise começaram com a definição de oito premissas pautadas na sustentabilidade da Entidade, na continuidade das operações e na manutenção positiva da experiência dos participantes e Instituidores. Tais premissas antecederam as ações práticas e nortearam as decisões estratégicas de modo que:
- Fossem mantidas as condições de trabalho e saúde dos funcionários.
- Processos críticos se mantivessem operantes, garantindo a continuidade das operações.
- Fosse mantida a segurança das operações, principalmente no que se refere à gestão de investimentos.
- Controles internos se mantivessem atuantes, gerindo os principais riscos.
- Canais de atendimentos se mantivessem disponíveis e atualizados.
- Comunicação contínua e constante com as partes interessadas (Instituidores, participantes, funcionários e conselhos), mantendo a proximidade, transparência e relevância das informações.
- Minucioso trabalho focado na reversão de saídas.
- Estratégias fossem constantemente reavaliadas e adaptadas.
Uma vez definidas as premissas, foram imediatamente estabelecidas as seguintes ações:
- Formalização de um Comitê de Crise.
- Avaliação das Matrizes de Riscos identificando os riscos com maior nível de exposição (impacto versus probabilidade).
- Avaliação dos controles relacionados aos riscos e criação de um Plano Emergencial de Riscos.
- Adaptação da infraestrutura tecnológica, permitindo a realização segura do trabalho remoto.
- Elaboração e execução de planos de gestão de investimentos e de comunicação interna e externa.
As ações realizadas pela Quanta permitiram a ação tempestiva e cautelosa, focando seus esforços de maneira direcionada e evitando desperdício de tempo e recursos, dois ativos extremamente importantes em momentos como esse. Enfrentar uma crise não é tarefa fácil e tão pouco possui uma forma específica de atuação. No caso da Quanta, manter uma gestão de riscos ativa e atualizada foi fundamental para definir o foco, utilizando informações que já estavam mapeadas e avaliadas dentro da Entidade. Dessa forma, foi validada a importância de um trabalho preventivo e ardiloso, mas de grande valor agregado.
Fonte: Quanta Previdência, em 29.06.2020