Alguns fatores têm contribuído para o aumento do número de empresas gestoras de hospitais, abrindo capital com elevados múltiplos de avaliação, culminando numa corrida pela consolidação do setor. Fatores macro como o aumento da expectativa de vida, o aumento da renda média familiar, o fraco serviço e leitos insuficientes do SUS, entre outros, contribuem para a atratividade desse mercado, que tem como principais players listados em bolsa a Rede D’Or, Mater Dei, e Kora Saúde. Interessante notar que o Brasil possui 2,4 médicos por mil habitantes, mesma taxa do Japão e próxima dos Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7) e Reino Unido (2,8), mas ainda ocupa a 37ª posição no que tange aos gastos per capita na área de saúde, gap que espero ser estreitado nos próximos anos.
As empresas atuantes nesse segmento foram, em sua maioria, formadas por médicos que ao longo de décadas geriram as instituições como braços de suas práticas médicas, de forma que a profissionalização em geral foi tardia. É bastante comum encontrar hospitais, por exemplo, constituídos por sociedades de dezenas de médicos, com baixas margens operacionais, elevadas dívidas e passivos fiscais, enquanto as receitas e dividendos são mantidos nas pessoas físicas desses profissionais. Isso não significa que o negócio em si é ruim, mas apenas mal gerido. Isso é um prato cheio para empresas estruturadas realizarem aquisições, reestruturarem operações e capturarem um valor grande deixado na mesa pelos sócios antigos.
Fonte: Portal Hospitais Brasil, em 13.12.2021