"Detectamos hoje no Brasil que uma das principais preocupações das patrocinadoras, independentemente do veículo financeiro, diz respeito à relativamente modesta rentabilidade da carteira de investimentos de seus planos nos últimos anos - apesar da recuperação de 2016 - e os reflexos disto em seus participantes”, nota Mauro Machado Pereira, consultor sênior de previdência da Mercer. Ele observa ainda que somada a esta questão, convive-se há décadas no Brasil com uma forte mudança de demografia, com o aumento da expectativa de vida, queda da natalidade e alterações na composição da família típica brasileira.
Na visão dessas empresas, a maior prioridade é a definição de uma estratégia de longo prazo para minimizar eventuais perdas, caso existam. A segunda, e também urgente, está focada naqueles participantes que se aposentarão nos próximos anos, para que não tenham benefícios futuros reduzidos significativamente, em função de resultados mais recentes. Assim, neste cenário difícil, Mauro Machado entende ser aplicável uma estratégia de decisões para o próximo ano baseada em nove itens que servirão como um guia para ajudar o sistema a continuar sua trajetória rumo a um porto seguro, em um futuro, esperamos breve.
Avalie a taxa de gestão cobrada em sua carteira de investimentos. Atualize as pesquisas sobre os gestores de mercado, para verificar se a taxa cobrada está adequada com o porte e a complexidade do plano;
Confirme os riscos de sua carteira de investimentos. É fundamental que a empresa e os participantes entendam dos riscos assumidos na política de investimentos, assim como a composição da carteira de investimentos;
Revise a forma com que você gerencia o seu plano de previdência. Esta, talvez, seja a de mais fácil resolução. Lembre-se que o benefício de previdência é um dos mais “visíveis” para os empregados. Um bom gerenciamento do plano permite prováveis ganhos na gestão financeira e bons serviços prestados aos seus participantes;
Determine se a maturidade de sua carteira de investimentos é adequada para a população de participantes.Neste caso, é importante verificar se a sua carteira adere às expectativas de pagamento de benefícios futuros. Se a sua população é jovem, por exemplo, faz muito sentido ter uma carteira com parcelas significativas de renda variável (sempre pense no longo prazo!). Ainda neste item, outro ponto relevante é a chegada no Brasil de novas alternativas de investimentos como o Ciclo de Vida, Investimentos Estruturados e Investimentos no Exterior;
Revise a estratégia de comunicação. Comunicação ampla e clara é sempre importante. Neste momento, é fundamental. Trabalhe no conceito de “educação financeira”. Isto fortalecerá o entendimento de longo prazo que os investimentos em previdência devem observar;
Revise a política de investimentos - A política de investimentos pode ser revista, considerando a instabilidade de curto prazo. Contudo, é importante lembrar que os compromissos do plano, em geral, são de longo prazo.
Cuidado para não “realizar” prejuízos. Incremente os processos de governança. Se a queda de rentabilidade assustou a sua empresa, isto pode significar que os processos de governança que você programou não estão totalmente adequados. Revise-os cuidadosamente. Este é o momento para isto;
Revise os procedimentos administrativos. Em momentos de forte estresse, como os dias de hoje, uma fonte adicional de problemas junto aos seus empregados pode ser a qualidade dos serviços prestados pelo provedor de seu plano de previdência (independentemente do veículo financeiro). Faça uma pesquisa de qualidade dos serviços junto aos seus empregados, por exemplo. Certifique-se de que o que você paga ao provedor retorna em qualidade, transparência e governança;
Ofereça alternativas, como multiportfólio, e avalie sua exposição a riscos. Neste momento, pode ser interessante uma análise de sua empresa sobre esta questão. Se a política de investimentos e a composição da carteira de investimentos de seu plano são totalmente definidas pela empresa, talvez seja adequado “dividir” estas responsabilidades com os participantes. Lembre-se que cada pessoa possui características individuais e únicas. Desta forma, nada mais natural que ele pense e defina a forma com que o seu futuro será alcançado. É importante, também, revisar os riscos aos quais seu plano de fato está afeito, considerando o desenho, benefícios ofertados e formas de pagamento.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 26.12.2016.