
ERASMO CIRQUEIRA - Diretor Executivo da ABRAPP; PAULO FONTOURA VALLE - Subsecretário de Previdência da Secretaria de Previdência; CARLOS MARNE DIAS ALVES - Diretor de Licenciamento da Previc; LUÍS RICARDO MARCONDES MARTINS – Presidente da ABRAPP; ROQUE MUNIZ DE ANDRADE – Presidente da ANCEP; EDGAR SILVA GRASSI - Diretor de Administração e Seguridade da CBSPREV; DIONISIO JORGE DA SILVA - Presidente Conselho Deliberativo da ANCEP
“Este evento mostrou a força renovada de nosso sistema e a importância cada vez maior de lideranças fortes como o Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, que com o seu entusiasmo e as suas iniciativas destinadas a devolver o crescimento à previdência complementar fechada, fruto de sua visão clara dos problemas e de como vencê-los, tem contribuído enormemente para o momento positivo que vivemos". A afirmação foi feita pelo Presidente da ANCEP, Roque Muniz, ao encerrar na última sexta-feira (2), em Porto Alegre, o segundo e último dia do 8º Encontro Nacional dos Contabilistas das EFPCs (8º ENCONT), Roque também dirigiu palavras de reconhecimento à ativa presença das autoridades, entre as quais Paulo Fontoura Valle, Subsecretário de Previdência, e Carlos Marne, Diretor de Licenciamento da Previc.
Painéis - A entrada em cena de uma nova geração, acompanhada de novos cenários e circunstâncias, vão requerer das entidades um extraordinário esforço não apenas em termos de oferecimento de novos produtos mas também uma comunicação diferente em linguagem e canais utilizados. Esse foi parte do diagnóstico gerado nos dois painéis da manhã de sexta-feira (2), segundo dia, em Porto Alegre, do 8º Encontro Nacional dos Contabilistas das EFPCs (8º ENCONT), presentes mais de 320 profissionais da área contábil, dirigentes e conselheiros de entidades.
Novas soluções para a gestão de Planos CD, CV - Com a mediação de José Edson da Cunha Junior, Consultor da Ancep, o primeiro painel do dia teve a participação de dois atuários para discutir os planos CD e CV.
Rafael Porto de Almeida, atuário e Sócio da Lumens Consultoria Atuarial, iniciou falando sobre a evolução dos planos de benefícios, explorando os planos família, instituídos e da previdência associativa. “Mas só os números não convencem”, lembrou Rafael, “precisamos tornar os novos planos viáveis, fazê-los decolar”. O atuário destacou as transformações que as novas gerações provocaram, que hoje buscam mais que produtos, mas experiências. As EFPC’s precisam entender essa mudança, rever suas estratégias de comunicação falando a linguagem da nova geração. “As experiências que os planos de previdência trazem precisam ser diferentes”, finalizou.
O atuário Daniel Pereira da Silva, Sócio-Diretor e Fundador da Wedan Consultoria e Assessoria Atuarial, abordou o estoque dos planos CV, a tendência dos planos instituídos e falou ainda sobre as mudanças que a tecnologia vem trazendo nos últimos anos. Com base nesse cenário que se modifica rapidamente, fundado em data science e big data, a visão de Daniel é otimista. “As entidades estão no caminho certo, pois é esperado um crescimento exponencial dos planos”, disse. Mas é preciso articular novas formas de comunicação aos novos planos para entender as demandas da nova geração.
Planos instituídos: viabilização jurídica, possíveis modelagens, soluções de implementação e de gestão e sustentabilidade - O sexto painel do VIII ENCONT contou com a mediação de Claudia Cristina Cardoso de Lima, Diretora de Administração e Seguridade da Fundação Copel, e teve como tema os Planos Instituídos.
Primeiro a falar no painel, Fábio Augusto Junqueira de Carvalho, Sócio da JCM Advogados e Consultores, centrou sua fala no Cenário 2018 x 2019 em diversos aspectos, como as vantagens e os riscos dos planos instituído e setorial. O palestrante comentou também a possibilidade de fusão da Previc com a Susep e como isso impactaria no segmento de previdência complementar. Para ele, entretanto, que é favorável à unificação do órgão regulador, “o problema não é um órgão único e sim como funcionará”.
O Diretor-Presidente da Fundação Família Previdência, Rodrigo Sisnandes Pereira, além de contar um pouco da experiência do Plano Família, ecoando uma fala muito presente em outras palestras, mostrou a importância de repensar as abordagens junto ao público mais jovem, que não vai aderir se a comunicação não se modernizar. Diante dos novos mercados, explicou, Sisnandes, um dos focos reside na simplificação dos produtos e da linguagem. “Um desafio grande é estreitar o vínculo com o participante”, finalizou.
A última palestra do painel foi dupla e contou com as falas de Júlio Cesar Medeiros Pasqualeto, Contador do Sebrae Previdência, e de Victor Roberto Hohl, Diretor Administrativo e de Investimentos do Sebrae Previdência. Júlio começou por meio de exemplos de estudos de viabilidade, detalhou como funciona a implantação de um novo plano e as fases do processo de implantação, o planejamento e as premissas que precisam. Em complemento a fala do contador, Victor trouxe os números da evolução de rentabilidade do Sebrae e o crescimento do número de participantes, com um expressivo aumento do número de adesões ao plano família.
Riscos - Carlos Marne Dias Alves, Diretor de Licenciamento Substituto da Previc, mediou o sétimo painel do evento, que teve como palestrantes dois especialistas em Compartilhamento e Transferência de Riscos. Ricardo Ehrensperger Ramos, Diretor Financeiro da OABPrev-RS, abriu o painel falando sobre a Transferência de Riscos em Planos de Benefícios. A partir de alguns preceitos jurídicos e conceitos de Risco, o advogado abordou, entre outros pontos da discussão, o contexto comercial da transferência de risco, que inclui maior capacidade de prospecção, agregação de valor com benefícios de risco, o aumento das receitas administrativas e a terceirização das equipes de vendas. As perspectivas trazidas pelo palestrante concordam com a necessidade de integração do mundo digital para ampliação do público atingido pelos planos de previdência complementar.
A Mongeral Aegon esteve representada no evento com a palestra de seu Diretor de Previdência, Eugênio Guerim Júnior, que discorreu sobre as vantagens da transferência de riscos para o mercado segurador e os cuidados no processo. O painelista abordou também a cobertura por morte e invalidez nos planos de previdência e, ainda, explorou os produtos para compartilhamento do risco de longevidade.
Investimentos - Moderado por Ricardo José Machado da Costa Esch, Diretor de Investimentos da Previsc, o último painel do encontro discutiu a Resolução CMN. 4.661/18. “Muito se fala em cultura previdenciária, mas o brasileiro precisa também de cultura de administração. Temos de mudar essa cultura”. A frase é do Procurador Chefe da Previc, Virgilio Ribeiro de Oliveira Filho, em sua apresentação que focou no papel da Previc em relação à norma de investimentos. Virgilio explicou que um dos propósitos da norma consiste no fortalecimento das linhas de defesa, da governança e das diretrizes da aplicação dos recursos garantidores, com o objetivo de contribuir para as melhores práticas de gestão dos recursos.
As novas legislações demandam a revisão e implementação de controles e modelos que simplifiquem processos. Essa é a leitura de Luciano Coelho de Magalhães Netto, Diretor da 4UM Investimentos. De acordo com Luciano, cuja apresentação deu destaque aos principais controles que podem ser gerados pelos prestadores de serviços que interagem com as EFPC, é necessário se adaptar constantemente e repensar modelos. Para ele, não há dúvidas de que o momento é de mudanças e tanto as novas legislações quanto a gestão das entidades precisam estar conectadas com essas mudanças.
Fonte: ANCEP Notícias, em 05.08.2019