“Esse evento mostra a importância do sistema. Um encontro com um conteúdo atual e técnico, como elemento de um sistema que tem grandes desafios e os enfrenta com destemor”, afirmou o Luís Ricardo Marcondes Martins, Presidente da Abrapp, ontem, em Porto Alegre, ao abrir os trabalhos do 8º Encontro Nacional dos Contabilistas das EFPC (Encont), diante de mais de 320 profissionais da área contábil, dirigentes e conselheiros de entidades. Ao seu lado, Roque Muniz Andrade, Presidente da Ancep, na mesma linha de pensamento apontou o 8º ENCONT, a partir da mobilização que tornou possível a reunião de um público tão numeroso, como uma demonstração clara da vitalidade que a Previdência Complementar Fechada exibe no momento em que dá provas da retomada de seu crescimento.
Após creditar o sucesso do evento promovido em parceria com a Ancep, com o apoio da Regional Sul da Abrapp, Luís Ricardo sublinhou o esforço que o sistema desenvolve hoje para se reinventar, aproveitando desse modo o ambiente de profundas transformações para retomar o seu crescimento. Nesse ponto, o Diretor Presidente da Abrapp destacou o sucesso que vem alcançando o esforço de implementação de planos família e fundos instituídos. “O plano setorial família deu certo, decolou, graças ao esforço de muita gente”, disse em referência ao Fundo Setorial Abrapp.
E, lembrou Luís Ricardo, o sistema está pronto para uma longa e sustentável trajetória porque se prepara para isso de uma forma consistente. Uma prova disso, apontou, são os mais de 7 mil profissionais certificados pelo ICSS, a demonstração mais evidente de um quadro dirigente fortemente qualificado. Destacou ainda as discussões em torno à Reforma da Previdência e a necessidade adoção do modelo de capitalização para formar uma poupança previdenciária de longo prazo, de acordo à proposta da FIPE-USP, defendida pela Abrapp.
Para Roque Muniz, por sua vez, uma das principais motivações do evento consiste exatamente em ajudar a construir a melhor estratégia para enfrentar os principais desafios contemporâneos. “Eu fico feliz em ver esse público em Porto Alegre, pois nossa missão é de fazer crescer de forma tecnicamente consistente a Previdência Complementar. Construir um país mais próspero e justo, confiante e renovado para o melhor”, salientou.
Transformações - Na palestra magna, compartilhada entre dois especialistas, Ana Tércia Lopes Rodrigues, Presidente do Conselho Regional de Contabilidade, iniciou falando a partir da temática das “Transformações da profissão contábil na era digital”, tema-central do evento, abordando a forma como as informações contábeis irão influenciar a tomada de decisões empresariais.
A contabilidade, explica Ana Tércia, é a ciência que trabalha com o patrimônio, com a gestão da informação. É importante entender que “precisamos demonstrar que os recursos são bem geridos ao longo do tempo por meio das nossas técnicas”. Mas não basta mais mostrar só os números. “Temos que gerir a informação e orientar as tomadas de decisões das organizações, com foco, inclusive nos impactos ambientais de sustentabilidade”, destacou a palestrante.
Ainda sobre as transformações da profissão contábil, Zulmir Breda, Presidente do Conselho Federal de Contabilidade, explicou que a tecnologia está colocando a questão ética à prova em todas as profissões. Os impactos da tecnologia são hoje evidentes no mundo trabalho e o palestrante salientou que ela “não pode acabar com um dos aspectos mais importantes na relação do profissional com o seu cliente, o usuário do seu serviço, que é a questão da pessoalidade”, reforçou.
Na visão de Zulmir, a perspectiva para o futuro da profissão, no entanto, é otimista. Entre as carreiras que mais geraram vagas de trabalho nos últimos anos, a de contador está entre as primeiras. “Mas o mercado apresenta novas exigências, como maior qualificação técnica, visão de negócios, habilidades analíticas e de comunicação, entre outros aspectos”, explicou Zulmir.
Reforma da Previdência - No painel 1, o Diretor Presidente da Tchê Previdência, Cezar Henrique Ferreira, fez a mediação do debate sobre a Reforma da Previdência. Ele iniciou a conversa falando sobre a situação do mercado de trabalho no Rio Grande do Sul, provocando os palestrantes a abordarem a questão livremente a partir de reflexões sobre os impactos da reforma.
Paulo Fontoura Valle, Subsecretário do Regime de Previdência Complementar abordou os reflexos e oportunidades que a Nova Previdência está provocando no sistema como um todo. A visão do governo, expressa por meio de seu representante no evento, é otimista quanto à aprovação da reforma no Congresso até outubro. O subsecretário explicou que prefere olhar para o sistema de Previdência de forma integrada. “Gosto de ver a Previdência como um todo e, assim, aproximar as políticas de previdência dos diversos segmentos para termos um sistema robusto”, concluiu.
O Diretor Institucional da Mercer, o atuário Antônio Fernando Gazzoni, analisou os aspectos econômicos e demográficos no país, seus impactos e necessidades advindas do novo cenário nacional. Deu destaque ao aumento da longevidade à luz das reformas da Previdência e Trabalhista, analisando seus potenciais impactos. A reforma terá impactos de curto prazo. Positivamente, “as entidades têm que se apresentar para fomentar o setor”, reforçou Gazzoni. É preciso copiar os bons exemplos, as boas práticas. As entidades precisam estar cientes da necessidade de flexibilização da estrutura dos planos, dos perfis de investimento, ciclo de vida, opções de investimento e de um maior uso de tecnologia.
Já na parte da tarde, o painel 2 foi mediado por Adimilson Luiz Stodulski, Diretor Financeiro e Administrativo da Fundação Corsan a rodada de debates contou com três painelistas. O tema da palestra da atuária Brenda Trajano, da Mirador, foi Gestão de Riscos Corporativos. A atuária apresentou a metodologia da pesquisa feita durante o seu mestrado em Controladoria, Contabilidade e Gestão, na UFRGS, que trata da relação dos fatores contingenciais com a gestão dos riscos corporativos. “Os fatores contingenciais podem afetar a gestão das entidades. Quanto mais dinâmico for o ambiente, mais apropriada for a tecnologia e quanto mais consolidada é a estratégia mais desenvolvida tende a ser a gestão de risco”, explicou Brenda.
Edison Arisa, Sócio líder de Auditoria de Instituições Financeiras, Seguros e Previdência da PwC, discorreu sobre Procedimentos de Auditoria, abordando o Comitê de Auditoria, certificação profissional, relatório circunstanciado, estrutura de governança, contingências judiciais, entre outras questões do processo de auditoria independente. Arisa destacou ainda que “os controles são necessários dentro de cada organização para poder estabelecer aquilo que é relevante e o que é importante para que os órgãos da governança façam o acompanhamento de acordo com as melhores práticas de gestão”.
Encerrando o painel, João Roberto Rodarte, Diretor Geral da Rodarte Nogueira Consultoria, explorando os Controles Internos e Segurança da Informação, iniciou de forma direta: “Ou mudamos completamente o modelo de negócio ou nós sairemos de linha”, provocou. De acordo com Rodarte, uma “entidade troca informações com seus agentes externos o tempo todo, vivemos numa permanente troca de informações”. Nesse contexto, é preciso pensar em modelagens alternativas para atrair as novas gerações.
O 8º Encont tem o patrocínio cota ouro da 4UM Investimentos, Junqueira de Carvalho e Murgel Advogados Associados, KPMG, Linhares Advogados Associados, Mercer, Lumens, Mirador, Mongeral Aegon, Rodarte Nogueira, Sinqia, PwC e Wedan; cota bronze, Moreira Auditores; e apoio da Mestra Informática, PFM Consultoria e Sistemas e PHF Auditores Independentes.
Fonte: Acontece Abrapp, em 02.08.2019.