
O 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) apresentou, nesta quinta-feira, 22 de outubro, os resultados da Pesquisa de Riscos do Sistema de Previdência Complementar Fechado 2026. O levantamento oferece uma visão abrangente dos riscos considerados mais relevantes pelas EFPCs associadas à Abrapp.
Participaram da apresentação Carla Barreto, membro da Comissão Técnica Sudeste de Governança e Riscos da Abrapp e Diretora-Presidente da Baneses; Ana Nolte, especialista da UniAbrapp; e Carlos Alberto Barros, Sócio da JCM Advogados. Além dos principais resultados e da evolução do levantamento, a apresentação abordou como as entidades podem utilizar a pesquisa como instrumento para fortalecer a gestão de seus riscos corporativos.
A sexta edição da pesquisa contou com a participação de 86 entidades, o equivalente a mais de 37% do universo pesquisado. Foram avaliados 23 riscos em um horizonte de três anos, classificados em uma escala de 1 a 5, em que 1 representa exposição muito baixa e 5 muito alta. Como novidade, o questionário deste ano também incluiu a classificação por segmento.
“Este ano, a pesquisa passou por uma reformulação para se tornar mais dinâmica e simplificada, e conseguimos trazer um resultado bastante expressivo. A pesquisa de riscos é uma das que apresentam maior índice de respondentes. Isso nos orgulha muito, porque já estamos na sexta edição, e esse resultado nos motiva a continuar”, afirmou Carla Barreto.
Ela também destacou a importância do levantamento diante das rápidas transformações do cenário atual, especialmente com o avanço da inteligência artificial. Segundo Carla, dispor de um instrumento para mensurar e avaliar os riscos permite que as entidades cresçam de forma mais segura e transparente, direcionando suas ações para alcançar melhores resultados.
Resultados – O ranking geral de 2026 mostrou os dez maiores riscos na percepção dos respondentes: 1º regulamentação; 2º macroeconomia; 3º terceirização; 4º tecnologia; 5º concorrência; 6º cibernético; 7º inteligência artificial; 8º talento humano; 9º desempenho dos investimentos; 10º gerenciamento de mudanças.
Para Carlos Alberto Barros, o resultado reflete o cenário enfrentado pelo sistema de previdência complementar. A regulamentação ocupa a primeira posição em um contexto de mudanças normativas, como a Resolução Previc nº 26, que alterou a Resolução Previc nº 23; a Resolução CMN nº 5.202, que alterou a Resolução CMN nº 4.994; e a Portaria Previc nº 728, que reforça a agenda relacionada aos aspectos ASG.
“Há muita norma e muita obrigação acontecendo, então isso traz um dever de casa para as entidades”, afirmou.
O especialista também comentou a posição da macroeconomia, que caiu uma colocação em relação ao ano anterior, quando ocupava o primeiro lugar. Entre os fatores que chamam atenção, mencionou o cenário de juros e, sobretudo, o endividamento das contas públicas, além do contexto eleitoral.
Outro destaque foi o avanço dos riscos relacionados ao ambiente digital. Entre os dez primeiros colocados, aparecem tecnologia, risco cibernético e inteligência artificial, evidenciando a relevância desses temas para o sistema. A inteligência artificial registrou a maior mudança de posição ao longo das seis edições da pesquisa, passando do 21º lugar para a 7ª colocação.
“Há dificuldade de acompanhar a evolução tecnológica e de regulamentar internamente a inteligência artificial. Muitos comentários das entidades apontam para a necessidade de criar políticas internas para regular seu uso, evitar vazamento de dados e impedir a utilização de plataformas ou sistemas não homologados internamente. As entidades ainda estão avançando nesse sentido”, explicou.
Utilização da pesquisa – Ana Nolte abordou como os resultados podem ser incorporados ao planejamento estratégico das entidades e à definição do apetite a risco. Segundo a especialista, os 23 temas identificados pela pesquisa servem como base para discussões com a governança sobre os riscos que a entidade está disposta a assumir e aqueles dos quais precisa se proteger.
“É preciso avaliar o que a entidade realmente entende que deve buscar, porque risco também é oportunidade, e aquilo de que ela deve se proteger. Com isso, a definição do apetite a riscos passa a ser a bússola para o sistema de gestão de riscos da entidade”, afirmou.
Ana também destacou a importância da mensuração dos riscos, etapa que permite identificar quais temas exigem maior atenção da governança. Outro ponto fundamental é analisar a interconectividade e a interdependência entre os riscos, considerando que diferentes categorias podem produzir efeitos umas sobre as outras.
Por fim, a especialista ressaltou que a definição do apetite a risco orienta as medidas de tratamento a serem adotadas pelas entidades. Quando há aversão a determinado risco, por exemplo, a organização pode buscar mitigá-lo, transferi-lo ou até mesmo encerrar o processo relacionado a ele.
O 47º CBPP é uma realização da Abrapp, UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocinador Diamante: ASA, Evertec, Itajubá Investimentos AI e XP Banco de Atacado. Patrocinador Ouro: Aditus, Aon, Azimut, BB Asset, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset, Galapagos Capital, Itaú Asset Management, MAG Seguros, Principal Asset Management, Safra, Santander Asset Management e SulAmérica Investimentos. Patrocínio Prata: Anbima, CAIXA Asset, Cavezzale Advogados Associados, Consepro, IIA Brasil, Investira, Leto Capital, Maraey, Mirador, Oceana Investimentos, Porto Asset, PRP Soluções, RJI Investimentos, Sabesprev, Vila Velha Corretora de Seguros, Vinci Compass e Wedan. Patrocínio Bronze: FRAM Capital, Icatu Vanguarda, Investo, IP Capital Partners, MAF Consultoria, Mapfre, Polo Capital, REV Corretora de Seguros e Sparta. Parceiros de Mídia: Broadcast, CNN Brasil e Gazeta Mercantil. Apoio Promocional: ABDE, Abipem, ABRH, ABRH-ES, Abvcap, Ancep, Apimec, ASCPrev, CFC, CRA-SP, Febraban, Fiap, Fipecafi, FPE, IBA, IBGC, IBPE, Ibracon, Servir Brasil, Previpar, Tchê Previdência e Unidas.
Fonte: Abrapp em Foco, em 23.10.2026.