Por Theo Carnier

Preparar as entidades para compromissos de longo prazo exige integrar conhecimento técnico, gestão de riscos e compreensão das necessidades dos participantes. Esse foi o eixo das quatro palestras realizadas na tarde de quinta-feira (22/10) no Espaço UniAbrapp, durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), em São Paulo.
A programação reuniu especialistas para discutir governança atuarial, convivência entre gerações, riscos dos investimentos e relacionamento como instrumento de fomento. Com diferentes abordagens, as apresentações destacaram a importância de transformar informações em decisões e de aproximar a atuação das entidades dos projetos de vida das pessoas.
Responsabilidade com os compromissos – Na palestra “Governança atuarial”, Daniel Pereira, CEO da Wedan e Especialista da UniAbrapp, e Sérgio Cardoso, também da UniAbrapp, defenderam o fortalecimento das estruturas que sustentam as decisões atuariais das entidades fechadas de previdência complementar.
A apresentação partiu de uma relação essencial: os investimentos existem para financiar os benefícios e compromissos dos planos. Por isso, a governança precisa contemplar, de forma integrada, tanto a gestão dos recursos quanto as obrigações previdenciárias.
Os especialistas ressaltaram que o cumprimento das normas constitui a base desse trabalho, que também exige responsabilidades definidas, documentação das decisões, acompanhamento de hipóteses e monitoramento dos riscos. Nesse contexto, uma política atuarial pode ajudar a organizar processos e estabelecer critérios para a atuação das diferentes instâncias da entidade.
A longevidade e os riscos presentes nas diferentes modalidades de planos também foram apresentados por Daniel Pereira e Sérgio Cardoso. A exposição chamou a atenção para a necessidade de avaliar os efeitos das premissas e escolhas sobre os benefícios, inclusive nos planos de contribuição definida, e de comunicar essas questões aos participantes com clareza.
Novo jeito de envelhecer – A longevidade ganhou uma perspectiva social e comportamental na palestra “O novo jeito de envelhecer e viver”, apresentada por Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência, presidente do LIDE Mulher SC e diretora da UniAbrapp, e Marcelo Vieira Martins, autor do livro “Você entre 7 gerações”.
A convivência de sete gerações foi o ponto de partida para refletir sobre as diferenças que vão além da idade. Pessoas que cresceram em contextos distintos carregam expectativas próprias sobre trabalho, consumo, relações pessoais e futuro – um desafio para organizações que precisam dialogar com públicos diversos.
Os palestrantes falaram sobre a maneira com que o aumento da expectativa de vida modifica o roteiro tradicional de estudar, trabalhar e se aposentar. Vidas mais longas abrem espaço para novos projetos, aprendizados e formas de participação, ao mesmo tempo que exigem atenção à saúde mental, à solidão e à manutenção dos vínculos sociais.
Com esse pano de fundo , a previdência foi apresentada pelos palestrantes como parte de uma atitude de preparação para o futuro. A reflexão destacou a importância de desenvolver uma cultura previdenciária conectada às escolhas do cotidiano, com diálogo entre gerações e valorização da cooperação.
Riscos óbvios e ocultos – Na palestra “O que pode afetar os investimentos: os riscos óbvios e os ocultos”, Everaldo França e Rafael Sampaio, especialistas da UniAbrapp, ampliaram o olhar sobre os fatores capazes de afetar as carteiras das entidades.
Everaldo França comparou os preços dos ativos a mensageiros das expectativas dos agentes econômicos. “Os preços nos dão a mensagem do que o mercado está enxergando sobre um conjunto de coisas”, afirmou, ao defender a importância de interpretar esses sinais nas decisões de investimento.
Juros, inflação e sustentabilidade das dívidas soberanas foram colocados pelo palestrante entre os riscos mais óbvios. E Rafael Sampaio completou a análise ao destacar a influência do risco de crédito e dos prêmios exigidos pelos investidores na avaliação dos títulos públicos.
A apresentação também destacou conflitos geopolíticos, mudanças nas cadeias de produção, ameaças cibernéticas e riscos biológicos como os riscos menos óbvios. Esse tipo de risco, segundo os palestrantes, mostra que é preciso ter atenção a acontecimentos cuja probabilidade pode ser pequena, mas cujas consequências exigem preparação.
“Previsão não é profecia. Cenário não é bola de cristal”, alertou Everaldo. A mensagem final foi de disciplina: acompanhar os mercados, questionar premissas e reconhecer os próprios vieses são atitudes fundamentais para preparar as entidades para diferentes cenários.
Participante no centro das decisões – Na quarta apresentação, Vanessa Dall’Inha, coordenadora da Comissão Técnica Sul de Fomento de Planos Previdenciários e Estratégias e Criação de Valor da Abrapp e especialista da UniAbrapp, falou sobre “O participante no centro das decisões para fomento”.
A especialista propôs que as entidades se perguntem: o participante está efetivamente no centro das decisões ou essa prioridade permanece apenas no discurso? Para ela, “a resposta aparece nas escolhas de ferramentas, nos processos de contratação, no atendimento e na forma de comunicar o valor dos planos”.
Vanessa recordou que informações cadastrais e financeiras precisam ser complementadas pelo conhecimento das preferências, expectativas e objetivos das pessoas. Pesquisas, interações no atendimento e análise dos canais de comunicação podem revelar dificuldades e orientar melhorias.
A jornada do participante merece atenção especial, segundo a palestrante, para quem a entidade deve acompanhar mudanças de necessidades ao longo da vida. Os primeiros 60 dias após a contratação foram apontados como um período importante para acolher, esclarecer dúvidas e construir confiança, com linguagem acessível e orientações úteis.
“Mensagem sem contexto é ruído”, afirmou Vanessa Del’Inha, ao questionar comunicações genéricas que apresentam produtos ou solicitam contribuições sem explicar sua relação com os objetivos de quem as recebe. Para transformar escuta em resultados, ela sugeriu uma sequência de quatro ações: escutar, interpretar, decidir e agir.
O 47º CBPP é uma realização da Abrapp, UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocinador Diamante: ASA, Evertec, Itajubá Investimentos AI e XP Banco de Atacado. Patrocinador Ouro: Aditus, Aon, Azimut, BB Asset, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset, Galapagos Capital, Itaú Asset Management, MAG Seguros, Principal Asset Management, Safra, Santander Asset Management e SulAmérica Investimentos. Patrocínio Prata: Anbima, CAIXA Asset, Cavezzale Advogados Associados, Consepro, IIA Brasil, Investira, Leto Capital, Maraey, Mirador, Oceana Investimentos, Porto Asset, PRP Soluções, RJI Investimentos, Sabesprev, Vila Velha Corretora de Seguros, Vinci Compass e Wedan. Patrocínio Bronze: FRAM Capital, Icatu Vanguarda, Investo, IP Capital Partners, MAF Consultoria, Mapfre, Polo Capital, REV Corretora de Seguros e Sparta. Parceiros de Mídia: Broadcast, CNN Brasil e Gazeta Mercantil. Apoio Promocional: ABDE, Abipem, ABRH, ABRH-ES, Abvcap, Ancep, Apimec, ASCPrev, CFC, CRA-SP, Febraban, Fiap, Fipecafi, FPE, IBA, IBGC, IBPE, Ibracon, Servir Brasil, Previpar, Tchê Previdência e Unidas.
Fonte: Abrapp em Foco, em 23.10.2026.