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Antonio Penteado Mendonça |
O setor de seguros fechou 2025 no azul. Mas não foi o crescimento observado nos anos anteriores. Até novembro, foram pagos mais de 200 bilhões de reais em indenizações, benefícios, sorteios e resgates. É um número 9,5% maior do que o pago em 2024. Somente em novembro, foram pagos 21 bilhões de reais, 7% a mais do que no ano anterior, o que mostra que a atividade cumpriu adequadamente sua missão empresarial e social. De outro lado, no mesmo período, foram arrecados 376 bilhões de reais, sem levar em conta o faturamento da saúde suplementar. É uma queda de 4,7% em relação a 2024, mas não significa que todas as empresas tiveram uma queda generalizada. Ao contrário, este desempenho se concentra na previdência complementar aberta, fortemente impactada pela cobrança de 5% de IOF sobre aplicações acima de 600 mil reais, determinada pelo governo federal. É espantoso como nossos governos enxergam apenas o curtíssimo prazo. O setor de seguros é um dos principais financiadores do governo federal. As empresas que o compõem são obrigadas por lei a colocar o grosso de suas reservas em títulos públicos federais, e isso vale para a previdência complementar aberta, também. Ao taxar os investimentos dos titulares da previdência complementar aberta com 5% de IOF, em nome do aumento imediato da arrecadação para compensar os gastos para garantir a demagogia do “tudo pelo social”, o governo conseguiu a façanha de espantar os investidores dos produtos de longo prazo mais eficientes do país. Ao mesmo tempo, conseguiu reduzir sua capacidade de colocação de títulos da dívida pública, porque com menos investimentos, as operadoras dos planos de previdência complementar abertos terão menos necessidade de constituir reservas e, consequentemente, de adquiriremos os títulos com os quais o governo banca a dívida pública. Este equívoco, para dizer o mínimo, comprometeu o desempenho da previdência complementar aberta e reduziu o faturamento do setor de seguros em 2025, mas quem vai morrer com a conta, no médio prazo, é o próprio governo, já que terá menos dinheiro no mercado para ser investido em seus papéis. Entre secos e molhados, perdem todos, os investidores dos VGBL’s, o governo e a sociedade em geral. Está longe de ser uma conta inteligente, mas é o que temos e não há nada no horizonte prognosticando uma melhora. Apenas para dar uma ideia do tamanho do estrago, em 2025 houve uma redução de mais de 90% na comparação com 2024, na captação dos planos de previdência complementar abertos. Os demais segmentos seguiram crescendo, confirmando a resiliência da atividade. Os seguros de Danos e Responsabilidades avançaram 6,7%, alcançando R$ 130,4 bilhões em prêmios. Os Seguros de Pessoas, cresceram 8,3%, superando R$ 71,9 bilhões. E a Capitalização também se saiu bem, com R$ 31,3 bilhões acumulados, alta de 7,7% em relação a 2024. No período, o setor de seguros pagou 53% de sua arrecadação a título de obrigações cobertas. Se colocarmos na conta as despesas comerciais e administrativas, na casa dos 30% do faturamento, veremos que o resultado, antes dos impostos, foi próximo de 60 bilhões de reais, o que é um número significativo, que ressalta a importância do setor, mas que, este ano, não o coloca entre os campeões da economia nacional. |
Fonte: SindSeg SP, em 20.02.2026.
