Por Paulo Leão de Moura Jr.
Atrevo-me a entrar em outro assunto que não seguro, mas que certamente influenciará nosso mercado.
Desde 1 janeiro de 2019, a presidência do Brasil está a cargo do Sr. Bolsonaro que foi eleito de forma limpa e legítima por conta da ojeriza dos eleitores ao sistema anterior que nos governou por mais de doze anos, se perdeu pela corrupção e causou um imenso estrago econômico-financeiro ao nosso país. Além disso, sofremos também por ilusão, decepção e humilhação a cada descalabrado noticiado a partir a crise de 2008 pela incompetência e corrupção em todas as suas atividades. Até então, acreditávamos no aparente sucesso brasileiro por conta do falso desenvolvimento econômico mundial, que nos ocasionou a tal ‘marolinha’ que nos destruiu em 2016 / 2017. A ‘marolinha’ que arrasou de vez o discurso falso da esquerda brasileira, culminando na prisão da sua liderança populista.
No meu ponto de vista, o presidente que entregou o cargo - mesmo envolto em inúmeras questões políticas nada republicanas e suspeito de corrupção – evitou que o navio Brasil fosse à deriva, se chocar com os arrecifes da quebradeira geral. Só por conta disso, não me parece que mereça o nível de rejeição que sofre, mesmo que não tenha conseguido implantar as medidas que realmente evitariam a quebradeira a médio prazo.
Nessa condição assume o novo governo, herdando toda a imensa gama de problemas que afligem o Brasil há tempos, com uma postura conservadora – certamente de direita. E aí lembramos das lições de Umberto Eco que identificou o UR Fascismo – fascismo eterno - com características como ‘o medo do diferente, a oposição à análise crítica, o machismo, a repressão e o controle da sexualidade, a exaltação a um líder e o aparente sentimento de um estado de ameaça.’
E, no entanto, nos apresentou ministros liberais nas áreas econômicas, da escola de Chicago, que nos parecem capazes de resolver as questões essenciais de curto prazo, como as reformas obrigatórias na previdência e fiscal. Para tristeza nossa, em áreas outras que tem influência nos setores econômicos como as Relações Exteriores, coloca um ministro sem experiência, aparentemente infantil por colocar Mr. Trump como herói, que coloca Deus no meio da situação onde o pragmatismo é essencial para defesa dos interesses do Brasil. Além desse possível desastre, incluímos outros como a ministra dos Direitos Humanos que segundo comentários, viu Jesus numa goiabeira! Espero sinceramente, que seja mais uma maldosa fake news. Enfim, esperamos que ao início dos trabalhos esses executivos entendam a diferença entre ‘wishful thinking’ e a dura realidade.
Como tudo isso irá influenciar em nossa atividade? Se tudo o que vem sendo conversado realmente venha a ocorrer nas operações econômicas, é de se esperar grandes atividades e desdobramentos nas áreas de privatização e nos investimentos em infraestrutura. Aqui entre nós, no entanto, isso não irá acontecer este ano. Terão que ser planejadas, sujeitas a aprovações diversas do nosso legislativo, cujo comportamento ainda é incógnita assim como o é a capacidade de convencimento político do Executivo junto a esse Legislativo. Possivelmente, começaremos a colher frutos em seguros de danos materiais, reponsabilidade civil e garantias diversas, a partir de 2020 / 2021.
O sucesso e ao comportamento real do Governo em atingir esses objetivos, possivelmente, irá abrir o apetite de investidores locais e internacionais nas grandes obras de infraestrutura. Isso depende também de como se comportam as economias dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Principalmente a política de juros americana, seu comportamento econômico-financeiro e, sem dúvida, as ações intempestivas do Mr. Trump. Em ocorrendo esse apetite e investimentos, irão surgir os seguros de risco de engenharia e os demais como Roubo, Garantia, Transporte. Em tudo dando certo, a demanda irá surgir em tempos de novas eleições. Se as reformas forem implantadas com eficiência política e eficácia técnicas, influenciará positivamente no comportamento empresarial o que, certamente, irá proporcionar a evolução de negócios em geral e no seguro em particular.
O nosso mercado, considerando a situação do Brasil bastante difícil, vem demonstrando uma capacidade de sobrevivência extraordinária. Enxergamos até um crescimento econômico-financeiro, porém, surpreendente pois em termos de qualidade de serviços e mão-de-obra, de produtos e sistema regulatório estamos em um claro retrocesso. Seguradores e corretores de seguros com problemas diversos em suas operações, desde as dificuldades em definir os meios e preços em concorrência de serviços; produtos mantendo clausulados de condições inadequadas e ambíguas, produtos com dificuldade de colocação por falhas na segurança, em análise de riscos inadequadas, em deficiência nas regulações de sinistro e, por fim, a situação pior, o excesso de regulação do mercado, o que impede a oferta de seguros melhores e, por consequência, uma competividade moderna e saudável.
Parece-me que dependemos sobremaneira do condicional ‘se’. Assim, em tudo correndo bem, esperamos sair desse fundo do poço lá por 2024 / 2025.
Devemos levar em conta a transformação negativa da nossa maior instituição jurídica. Nosso STF é defensor de uma constituição que, embora legítima, foi formulada em momento de extrema carência e demanda por direitos, privilégios e liberdades esquecendo obrigações e deveres de todos. Por consequência, vemos Ministros adotando atitudes monocráticas, em meio a vaidades e interpretações obsoletas de cada um, gerando uma confusão jurídica e política que não se coadunam com a seriedade, erudição, ética que o momento precisa.
Face a tudo isso, é realmente difícil ter esperança, porém inegavelmente sentimos uma leve aragem de confiança que certamente permitirá que o mercado de seguros continue evoluindo E, se for possível ao novo Governo executar suas propostas, o país irá retomar seu desenvolvimento. Se essas mudanças acontecerem através de uma economia liberal com liberdade, desburocratização, competividade, competência, eficiência e eficácia teremos um feliz Ano Novo para todos nós.
São Paulo, 3 de janeiro de 2019