Por Alexandre Sammogini

Com cerca de 300 participantes, o 2º Encontro Nacional de Gestão de Pessoas começou nesta quarta-feira, 14 de setembro, tendo continuidade nesta quinta-feira, em seu segundo e último dia. No Talk 1 “Colaboração, vulnerabilidade e confiança: Skills do RH ágil”, Ricardo Vandré, Consultor Corporativo na HSM, falou sobre a importância da confiança entre as equipes de trabalho e como desenvolver esse sentimento. Já o Talk 2 abordou os “Impactos da revolução tecnológica digital no mercado de trabalho” com a Psicóloga Heloísa Junqueira.
Ricardo Vandré iniciou afirmando que vida profissional e pessoal é uma só. “Esqueçam a falácia de que vida profissional e pessoal não se misturam” disse o especialista. Quando entramos em uma organização trazemos nossos conflitos pessoais e eles se somam aos nossos desafios profissionais. Por isso, os colegas e líderes devem estar preparados para um diálogo, propagando o sentimento de acolhimento e confiança.
O especialista ressaltou que a base do trabalho é a confiança, pois ela gera mais velocidade e menor custo, isso decorre da diminuição do micro gerenciamento. O líder aponta o caminho e a equipe busca o resultado, sem a necessidade de repetidos questionamentos de como fazer ou de como está sendo feito, poupando assim o tempo do trabalho.
Como gerar confiança? – Para alcançar a empatia e confiança, Ricardo recomenda abrir espaço na agenda para conversas, criando um lugar de segurança psicológica para ouvir e desabafar. Quando as pessoas são colocadas para falarem, por exemplo, de seus sonhos ou infância, elas começam a se conhecer, construir vínculos e sentimento de pertencimento. Hoje, vemos muitos jovens que entram nas organizações e permanecem nelas, pois encontram conforto e possibilidade de serem protagonistas.
Além disso, um ambiente seguro deve ser feito a partir de ações e não apenas palavras. Se o líder busca, por exemplo, que seus funcionários se sintam menos inseguros em cometer erros, a governança deve ser tolerante quanto a eles. A inovação é criada a partir da teoria, que vem da prática e do erro, para assim chegar no acerto. A empresa que busca inovar deve começar a enxergar o erro como um aprendizado e não como algo a se punir.
O palestrante aconselha que os líderes comecem a reunir sua equipe para rodas de conversa, engajando e fortalecendo a conexão entre colegas, além de possibilitar descobrir pontos em comum. Afinal, estudos científicos já comprovam que pessoas felizes são mais criativas e proativas, virtudes fundamentais para aqueles que integram uma empresa bem sucedida. A Talk 1 contou contou com mediação de Elizabeth Santos Moitinho, Membro do Comitê de Gestão de Pessoas da Abrapp.

Revolução tecnológica – O Talk 2 tratou dos desafios da revolução tecnológica com a palestra de Heloísa Junqueira, Fundadora da H. Junqueira Assessoria em Gestão com Pessoas. Ela abriu sua apresentação lembrando que é participante do sistema de Previdência Complementar Fechada, com dois planos de benefícios, um deles com o fundo multipatrocinado MetLife e outro com a Valia.
A mediação do painel ficou por conta de Elidiane de Faria Gomes, Membro do Comitê de Gestão de Pessoas da Abrapp. “Vamos tocar um tema tão relevante e inquietante que é a revolução tecnológica digital, que tem avançado de forma exponencial gerando mudanças profundas nas relações de trabalho. Nós como gestores de RH temos de nos qualificar para acompanhar essas mudanças que acontecem de maneira acelerada”, disse Elidiane.
Para começar a palestra, Heloisa Junqueira realizou uma enquete online com a ferramenta Mentimenter sobre o que o público pensa em relação à Revolução Tecnológica. Em poucos minutos, 68 participantes escolheram a opção “Me encanta”; 11 selecionaram a resposta “Inseguro”; e 5 acionaram a opção “Assusta”. A psicóloga destacou a importância de ouvir antes de começar a falar, justificando a motivação para a enquete. Ela incentivou o uso de ferramentas online para ouvir os colaboradores das organizações.
Ela continuou com um conceito que costuma utilizar em suas publicações e palestras que diz que “humanos não são recursos”. Quando nos referimos a recursos, pensamos em materiais que são esgotáveis, sejam minerais, hídricos, financeiros, entre outros. Já o ser humano não deve ser considerado um recurso, mas sim uma fonte. O humano não se esgota, pois pode se reenergizar e se renovar. Ela citou como exemplo a marca de roupa Reserva que denomina a área de RH como área de “Fontes Humanas”.
Inovação – Para Heloísa, o tema da revolução tecnológica envolve a inovação nas organizações. Para buscar a inovação é necessário se perguntar: estou sendo repetitivo? Ou estou buscando inovar? A inovação é diferente de novidade. Uma novidade não leva necessariamente para uma melhoria nos processos. Já a inovação provoca redução de custos, traz satisfação para os clientes, reduz o retrabalho, entre outros avanços.
A psicóloga deu como exemplos a utilização de plataformas de seleção como forma de inovação. Ela afirmou que a restrição de custos não deve ser impeditivo, pois há soluções bastante acessíveis. “Existem programas de seleção muito baratos que ajudam a eliminar as planilhas de currículos”, disse.
Heloísa falou ainda sobre o novo perfil da liderança das empresas. “O papel do líder é estimular, orientar e suportar o desenvolvimento de cada membro de sua equipe. Liderar é deixar de fazer e passar a fazer com que façam e queiram fazer com qualidade, disciplina sem retrabalho”, comentou. Ele defendeu que pessoas em estágios de desenvolvimentos diferentes necessitam de abordagens diferenciadas e explicou que liderar é ouvir e provocar os colaboradores para que sejam estimulados a buscar a inovação.
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O 2º Encontro Nacional de Gestão de Pessoas é uma realização da Abrapp, contando com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio ouro: Crescimentum / Posiciona.
Fonte: Abrapp em Foco, em 15.09.2022.