
Realizado no segundo dia do 10º Encontro Nacional dos Contabilistas das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Encont), painel “Investimentos em cenário de alta volatilidade: estratégia, riscos e proteção patrimonial” promoveu o debate em torno da preparação para um período de transição em decorrência de possível cenário de cortes de juros.
O painel contou com apresentações de Alcinei Cardoso Rodrigues, Diretor de Normas da Previc; Jobson Barros, Diretor de Investimentos da Ceres; e Victor Roberto Hohl, Coordenador da Comissão Técnica Centro-Norte de Investimentos da Abrapp. A mediação foi realizada por João Carlos Ferreira, Diretor Vice-Presidente da Abrapp. O Encont foi realizado em formato presencial em Brasília nos dia 17 e 18 de setembro.
“Os participantes nem sempre compreendem os efeitos da volatilidade, então precisamos explicar o cenário para eles. Atualmente, os títulos públicos têm apresentado resultados relevantes, mas esse cenário não é permanente. Por isso, o período atual deve ser aproveitado para estudar e se preparar para os desafios que surgirão”, disse João Carlos.
Alcinei destacou o cenário de juros elevados como um desafio para o segmento. Com cerca de 85% dos investimentos concentrados em renda fixa, as demais classes perderam espaço, o que exige atenção para um eventual processo de transição caso as taxas de juros recuem.
Para o representante da Previc, a diversificação precisa ser planejada com antecedência, já que mudanças na alocação não podem ser realizadas de forma imediata. Nesse contexto, as entidades devem recuperar a capacidade técnica das equipes e se preparar para novas alternativas de investimento.
“Se você está sendo drenado por uma taxa de juros altíssima em um título que não tem risco, com o tempo, vai perdendo a musculatura técnica. A questão é que existe uma tendência de redução da taxa de juros. Você não consegue fazer uma mudança na alocação de uma hora para outra. Então, será necessário se preparar para diversificar”, afirmou.
Alcinei também ressaltou a importância de realizar movimentos graduais e estudados para uma eventual retomada dos ativos de risco, avaliando diferentes possibilidades antes de promover mudanças efetivas nas estratégias de investimento.
Diversificação – Jobson Barros destacou a diversificação como um dos principais instrumentos de proteção do patrimônio, especialmente em um cenário de alta volatilidade. O debate reforçou que diversificar não significa simplesmente ampliar a exposição a riscos, mas compreender as características, a liquidez e o horizonte de cada plano.
Ele explicou que na Ceres existem planos com diferentes modalidades e níveis de maturidade, o que exige uma análise individualizada das estratégias de alocação. Dessa forma, não há uma composição única que possa ser aplicada indistintamente a todos os planos.
O Diretor da Ceres também ressaltou a importância da liquidez, que permite realizar rebalanceamentos, aproveitar oportunidades e evitar vendas compulsórias em momentos desfavoráveis. Para ele, proteger o patrimônio não significa necessariamente reduzir riscos, mas conhecê-los, evitar concentrações, acompanhar oportunidades e respeitar a capacidade e as necessidades de cada plano.
Risco e volatilidade – Também foi destacada a diferença entre volatilidade e risco previdenciário. Segundo Victor, oscilações de curto prazo não necessariamente representam perda econômica, enquanto decisões excessivamente orientadas pelo extrato podem comprometer a construção da renda futura. Na estratégia de diversificação, ele destacou a importância de identificar os diferentes fatores de risco aos quais a carteira está exposta.
Para Victor, o desafio é mostrar ao participante, de forma clara, que volatilidade não é sinônimo de risco. Ao abrir mão da volatilidade, ele também pode estar abrindo mão da possibilidade de construir uma renda futura garantida.
“Hoje, para obter e garantir renda futura por meio do planejamento, é necessário assumir o risco de duration, ou seja, o risco de prazo, que naturalmente traz volatilidade. Portanto, nosso desafio é comunicar isso de forma clara e adequada”, ressaltou.
O 10º Encont é uma realização da Abrapp e da Ancep, com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Prata: Florêncio Sociedade de Advogados, Mirador, PFM Consultoria e Sistemas, PRP Soluções, RUMO Atuarial. Patrocínio Bronze: Itajubá Investimentos AI. Apoio: 4UM Investimentos e Moore.
Clique aqui para conferir a cobertura da abertura do evento, realizada em 17 de setembro, e aqui para saber mais sobre a apresentação do Guia para Elaboração do Relatório Gerencial, que também integrou a programação do primeiro dia.
Fonte: Abrapp em Foco, em 21.09.2026.